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Continental em Lousado: três décadas de crescimento e sustentabilidade

Engenheiro com capacete e colete refletor usa tablet em instalação com painéis solares e turbinas eólicas.

A Continental nasceu na Alemanha há mais de 150 anos e está oficialmente instalada em Portugal desde 1989, na sequência de uma parceria com a Mabor que integrou a unidade industrial de Lousado, a cerca de 30 minutos da cidade do Porto.

Volvidas três décadas, a transformação é enorme - não só na capacidade de fabrico de pneus, mas também no esforço contínuo de sustentabilidade em várias frentes.

Embora os pneus estejam no centro da operação, aquilo que a Continental coloca verdadeiramente no topo das prioridades - como foi possível perceber numa visita à fábrica de Lousado - são as pessoas.

Enquanto empregadora, a Continental tem “o objetivo de melhorar as condições de trabalho, reforçar as competências dos seus trabalhadores e ser o «motor» da competitividade desta área de negócio”, tal como referido por Pedro Miranda, o responsável pela área da inovação na fábrica de Lousado.

Do ponto de vista da presença física, a Continental em Lousado cresceu de 40 500 m² para 314 582 m² ao longo dos últimos 30 anos. E este número nem sequer contempla o novo armazém: tem capacidade para armazenar dois milhões de pneus e uma área equivalente a mais de 100 campos de futebol.

Com uma produção anual de quase 19 milhões de pneus, é difícil que esta realidade passe «despercebida» na região. Ainda assim, a Continental mantém a ambição de reduzir o impacto associado à escala da sua atividade.

Em busca de novas ideias e soluções

O objetivo mais distante - e também o mais exigente - está apontado a 2050, ano em que a Continental pretende atingir a neutralidade climática total. Até lá, o caminho é longo, mas já há muito trabalho em curso, tanto na produção como noutras áreas de suporte.

Um exemplo simples e visível é a iluminação: toda a fábrica já utiliza LED, uma solução mais eficiente e com maior durabilidade. Em paralelo, o consumo energético é acompanhado de forma contínua, com foco na otimização.

Neste processo, os próprios trabalhadores são incentivados a identificar oportunidades e a partilhar propostas que permitam gastar menos energia através do conceito BEE (Ser Eficiente na Energia).

As alterações mais marcantes começaram a notar-se há cerca de seis anos, quando foi implementado um circuito fechado de água para alimentar o funcionamento das máquinas de extrusão de borracha.

Em 2019, foram instalados atenuadores de ruído. Já em 2021, para reduzir a dependência da energia da rede, a fábrica recebeu vários painéis solares. Graças a isso, atualmente, 100% da energia consumida tem origem em fontes renováveis. Ainda em 2021, foi inaugurada uma nova central de resíduos domésticos.

Em 2023, a unidade de Lousado avançou com a instalação de um sistema de tratamento do ar e com uma tecnologia que, num equipamento com dimensões semelhantes às de um pequeno edifício, permite simular a presença de cerca de 1000 árvores, com as respetivas vantagens para o que a rodeia.

Também nesse ano, a Continental introduziu na linha de produção várias soluções orientadas para a ergonomia. Estas medidas ligam-se ao uso de ferramentas e ao manuseamento/levantamento de componentes, tornando o trabalho dos colaboradores mais simples.

Sem carvão ou combustíveis fósseis

A principal novidade na fábrica da Continental em Lousado é, contudo, a nova caldeira que funciona exclusivamente a eletricidade, substituindo a anterior, que era alimentada a gás natural. Importa ainda sublinhar que a eletricidade utilizada é gerada a partir de fontes renováveis.

No fabrico de pneus, uma fatia significativa da energia é consumida na produção de vapor, essencial para o processo de vulcanização. A nova caldeira elétrica consegue elevar a água desde a zona mais funda até ao topo, onde é pulverizada sobre elétrodos. A corrente elétrica atravessa os jatos de água, produz calor e converte a água em vapor.

Apesar desta mudança, continua a existir uma caldeira a gás convencional, mas a sua utilização fica limitada a situações específicas - por exemplo, quando a energia disponível de fontes renováveis é inferior à necessária.

Com a caldeira 100% elétrica em funcionamento, a utilização de carvão e combustíveis fósseis destinados à produção de vapor passará a ser de 0%.

Os números da fábrica de Lousado

A fábrica da Continental em Lousado é uma entre 20 unidades espalhadas por 16 países. Dentro do Grupo Continental, a unidade portuguesa é a maior fábrica de pneus do mundo. Se em 1995 a equipa contava com 787 pessoas, em 2023 esse total atingiu 2706 trabalhadores.

Ainda assim, a maior evolução mede-se na produção. Em 1996, a produção anual era de 4,99 milhões de pneus para veículos ligeiros. Hoje, o valor está próximo dos 19 milhões.

Já no segmento de pneus para áreas mais específicas - como a agricultura ou a indústria - a atividade em Lousado só começou em 2017, com pouco mais de 4000 unidades por ano. Atualmente, esses volumes já ultrapassam as 48 700.


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