Saltar para o conteúdo

Dia da Europa no Porto: 40 anos de adesão de Portugal à União Europeia

Grupo de jovens com bandeira de Portugal junto ao rio, com maquetes de turbinas eólicas e laptop aberto.

Celebrar o Dia da Europa é reconhecer, com clareza, o que conquistámos ao escolher integrar a União Europeia.

Dia da Europa no Porto

Na linha de descentralização das iniciativas da Representação da Comissão Europeia em Portugal, assinalamos hoje o Dia da Europa no Porto - e não é por acaso. Esta cidade sempre soube que o mundo começa para lá das suas margens, encarando o rio e o mar como vias de ligação e nunca como obstáculos. O Porto tem uma vocação europeia antiga, bem anterior a qualquer tratado assinado por Portugal.

A celebração acontece não num auditório, mas no espaço público, no meio das pessoas: uma corrida de cinco quilómetros, plantação de árvores, várias exposições, dança e poesia junto à estátua de Almeida Garrett, e ainda a sonoridade de Katia Guerreiro e da Banda Sinfónica Portuguesa a fechar o dia. No Porto e um pouco por todo o país, edifícios emblemáticos serão também iluminados com as cores da bandeira europeia.

Portugal e a União Europeia: 40 anos de adesão

Em 2026, esta data ganha um significado particular: Portugal celebra 40 anos de adesão à União Europeia. Em 1986, a democracia era ainda recente. A entrada na então Comunidade Económica Europeia foi, acima de tudo, uma decisão política: Portugal optou por pertencer a um espaço de liberdade, de Estado de direito, de solidariedade e de respeito pelos direitos humanos - valores inscritos no Artigo 2.º do Tratado da União Europeia. E, mais do que tudo, foi uma aposta na consolidação democrática.

Desde então, o país mudou profundamente: a esperança de vida subiu de 72,9 para 81,2 anos; o abandono escolar desceu de 50% em 1990 para 6,6% atualmente; o número de estudantes no Ensino Superior passou de 157 869, em 1990, para 448 235 (dados Pordata 2024); e o PIB per capita aumentou de 2824 euros para 26 725 euros em 2024.

Ainda assim, a transformação mais marcante não cabe apenas em números. Portugal tornou-se mais aberto e mais virado para o Mundo, sem abdicar da sua identidade - acrescentando-lhe uma dimensão europeísta firme. O Porto é igualmente expressão dessa evolução: de cidade na periferia europeia, tornou-se um centro cosmopolita, entre os destinos mais visitados e reconhecidos da Europa.

O Eurobarómetro mais recente indica que 79% dos portugueses confiam na União Europeia - o valor mais alto entre os Estados-Membros. Numa época em que a desconfiança cresce, os portugueses continuam a acreditar no projeto europeu porque sentem que esta casa comum oferece proteção e abre oportunidades. São estudantes Erasmus, empresas com vocação exportadora, cidadãos com direitos garantidos, mães e pais que desejam um futuro de paz e prosperidade para as suas famílias. São gerações que cresceram sem nunca terem de escolher entre ser portuguesas e ser europeias.

Desafios atuais e a resposta europeia

Nem tudo, porém, é motivo de celebração. O Mundo de hoje é instável e difícil de antecipar. Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, assistimos a uma guerra no Leste da Europa. A União Europeia tem mantido uma posição firme no apoio ao povo ucraniano, e as sanções estão a ter um impacto concreto na máquina de guerra russa. Como recordou recentemente Ursula von der Leyen, "a história mostra que todos os muros caem".

Energia, dependência e transição

Vivemos igualmente uma crise energética. Em apenas 60 dias de conflito no Médio Oriente, a fatura europeia de importações de combustíveis fósseis cresceu mais de 27 mil milhões de euros. Também Portugal sente de forma clara a fragilidade de depender de energia importada. A resposta europeia assenta em diversificar fontes, coordenar reservas e acelerar a transição energética, garantindo proteção a quem mais precisa.

Portugal, por si só, não teria capacidade para negociar como se negoceia ao nível da União Europeia, investir como se investe através da União Europeia, ou impor regras a plataformas digitais globais como a União Europeia consegue fazer. Foi com a Europa que o país reforçou a sua resiliência - e será com a Europa que continuará a reforçá-la.

Espaço digital, desinformação e proteção

A União Europeia não atua apenas perante crises externas. As plataformas digitais alteraram o espaço público de uma forma que ainda estamos a compreender por completo. A desinformação propaga-se a uma velocidade impressionante, os algoritmos dão palco a radicalismos e os mais jovens crescem num ambiente digital que não foi desenhado a pensar no seu bem-estar. A União Europeia continua a legislar e a regular - seja através da verificação de idade nas plataformas, da responsabilização das grandes empresas tecnológicas ou da proteção dos dados de cada cidadão. Não se trata de pormenores técnicos ou burocráticos de "Bruxelas": são escudos concretos para salvaguardar o que importa aos europeus.

Pertencer à União Europeia é, hoje, uma vantagem concreta num Mundo em fragmentação. Dá-nos a possibilidade de enfrentar crises com 26 parceiros, defender a democracia com o peso de 450 milhões de pessoas e relacionar-nos com o Mundo com referências e valores partilhados. Quatro décadas depois, Portugal reconhece bem a maior mais-valia da decisão de aderir à maior comunidade de democracias do Mundo.

Que os próximos 40 anos estejam à altura dos 40 que celebramos este ano, com consciência das dificuldades que atravessamos, mas com confiança na força de estarmos juntos, porque juntos somos mais fortes.


Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário