O DS Nº8 chega para ocupar o lugar do DS 9, um topo de gama cuja trajetória comercial esteve longe de ser simples: em 2023, a marca francesa comercializou menos de 1500 unidades do seu modelo mais exclusivo.
Talvez por esse motivo, a DS decidiu seguir uma receita totalmente diferente para o seu novo porta-estandarte - e isso nota-se desde logo na designação. Em vez de DS 8, chama-se Nº8, uma escolha que bebe inspiração no universo da moda francesa.
Ainda assim, o maior argumento deste 100% elétrico é a autonomia, que em algumas versões atinge os 750 km, colocando o Nº8 entre os modelos com maior alcance elétrico de toda a indústria.
Mas será este trunfo suficiente para conquistar espaço face a outras marcas premium, em especial as alemãs? Fomos até Paris ver o DS Nº8 ao vivo e perceber, em primeira mão, o que este elétrico de topo tem para oferecer. Veja o vídeo:
Manifesto de intenções
O Nº8 inaugura a nova linguagem de design da DS e surge com detalhes capazes de dividir opiniões - e de chamar atenções. A grelha dianteira iluminada (também existe a hipótese de escolher uma grelha mais tradicional) e o capô em negro são dois exemplos claros, embora não se fique por aí.
Visto de lado, ressalta a mistura de referências de diferentes tipos de carroçaria: a linha do tejadilho desce na zona traseira, num registo próximo do de um coupé, mas os guarda-lamas largos aproximam-no mais do universo dos crossovers.
Há ainda um elemento que merece destaque: o pilar traseiro, bem espesso, que desemboca numa secção posterior igualmente larga. Aí encontramos um spoiler marcado e uma assinatura luminosa vertical - uma estreia nos modelos de produção da marca gaulesa.
No conjunto, e olhando apenas para a estética, o Nº8 corta com grande parte do que associávamos à DS até aqui e dá pistas concretas sobre a direção futura da construtora francesa.
Luxo à francesa
Por dentro, a mensagem é clara: luxo. O habitáculo apresenta-se cuidado e transmite uma sensação de qualidade convincente, apesar de alguns plásticos mais rígidos e ásperos nas zonas inferiores das portas.
De resto, o nível mantém-se elevado. Os bancos, por exemplo, podem incluir aquecimento ao nível do pescoço e podem ser revestidos a Alcantara ou a pele. Juntam-se a isto uma consola central de conceção inovadora e um volante com um desenho fora do comum.
Quanto a este último, confesso que não me deixou totalmente rendido. Ainda assim, percebo que o seu estilo pode encaixar no posicionamento do DS Nº8, que inclui um ecrã multimédia com 16″, instrumentação digital com 10,25” e um sistema de som 3D com 14 altifalantes assinado pela FOCAL.
750 km de autonomia
Desenvolvido de raiz para ser 100% elétrico - algo que acontece pela primeira vez num modelo da DS -, o Nº8 utiliza a plataforma STLA Medium, já conhecida e por nós testada no Peugeot e-3008. Isso permite-lhe oferecer uma gama ampla de motorizações, baterias e autonomias.
Na prática, o Nº8 chega em três versões, com potências entre os 230 cv e os 350 cv (ou 375 cv em potência de pico) e autonomias que variam entre 575 km e 750 km.
Com estes números, passa a integrar o grupo dos elétricos com maior autonomia no mercado, sendo apenas ultrapassado pelo Mercedes-Benz EQS 450+ (799 km) e pelo Audi A6 Sportback e-tron performance (753 km).
De série, todas as versões incluem bomba de calor. O Nº8 - que recorre sempre a motores elétricos, montados em França - suporta carregamentos em corrente contínua (DC) até 160 kW e pode ser equipado com carregador de bordo de 11 kW ou 22 kW.
E o preço?
Para Portugal, os preços ainda não são definitivos. Já em França, a variante de entrada do Nº8 (230 cv e até 572 km de autonomia) vai começar abaixo dos 65 000 euros.
As encomendas abrem no início de 2025, mas as primeiras unidades só deverão ser entregues mais perto do verão.
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