Itália pede alterações à proibição de 2035 para motores a combustão
O Governo italiano pretende que seja revista a proposta que impede, a partir de 2035, a venda de automóveis novos com motores a combustão que emitam CO2.
Na semana passada, a primeira-ministra Giorgia Meloni foi mais longe e classificou a eliminação faseada dos motores de combustão interna como uma “decisão autodestrutiva”, por considerar que pode atingir de forma séria a indústria automóvel europeia.
A meta de cortar em 100% as emissões de CO2 em 2035 integra o Pacto Ecológico Europeu (Acordo Verde), uma estratégia conduzida pela Comissão Europeia (CE) para travar as alterações climáticas e reduzir a poluição. A Itália tem-se destacado entre os países que contestam este caminho, e Meloni descreve as propostas do pacto como “ideológicas”.
Segundo Adolfo Urso, ministro da indústria de Itália, o executivo vai apresentar uma proposta formal de revisão e discuti-la, amanhã, 25 de setembro, com a delegação nacional de legisladores junto da União Europeia (UE). No dia seguinte, o tema deverá seguir para apresentação oficial numa reunião de ministros da UE.
“Acreditamos que é absolutamente necessário modificar a direção política industrial da UE.”
- Adolfo Urso, ministro da indústria de Itália
Pacto Ecológico Europeu
No quadro do Pacto Ecológico Europeu, a CE aprovou em 2023 um conjunto de medidas que estabelece como objetivo “uma redução das emissões de CO₂ de 100 % para os automóveis de passageiros e veículos comerciais novos, a partir de 2035”.
Embora exista uma exceção para motores de combustão interna alimentados por combustíveis neutros em carbono, na prática, uma redução de 100% traduz-se sobretudo no fim do motor de combustão interna em automóveis novos.
Reapreciação em 2026 e pressão italiana para antecipar
Ainda assim, o regulamento inclui uma cláusula de reapreciação em 2026, destinada a permitir que a CE “avalie exaustivamente” os progressos alcançados e determine se haverá necessidade de rever as regras. O Governo italiano pretende que essa discussão seja antecipada para 2025.
Recorde-se que o ponto central desta revisão passa por medir a evolução da tecnologia híbrida e perceber se, com esses avanços, será possível cumprir os objetivos definidos para 2035.
Vendas a cair
As medidas promovidas pela UE procuravam também levar os construtores europeus a reforçar o investimento no desenvolvimento e na produção de automóveis elétricos. Contudo, a execução não evoluiu como se esperava.
Isto porque o mercado europeu não reagiu de acordo com as previsões e, este ano (com dados contabilizados até agosto), as vendas de elétricos - e também de híbridos com carregamento externo - entraram em terreno negativo. Entre os fatores que mais contribuem para a queda está a redução e, nalguns casos, a eliminação dos incentivos à compra de automóveis elétricos em vários países.
Perante o abrandamento nas vendas de elétricos, a grande maioria dos grupos automóveis tem revisto os planos de eletrificação, adiando metas e suspendendo investimentos em novos modelos e em fábricas.
Metas intermédias de 2025 e 2030 sob contestação
Antes de 2035, existem objetivos intermédios de redução de emissões para 2025 e 2030, e vários grupos automóveis têm vindo a defender que essas metas sejam adiadas ou tornadas menos exigentes.
Até ao momento, o único grupo a posicionar-se contra o adiamento das metas de emissões foi a Stellantis. De acordo com Carlos Tavares, diretor executivo do grupo, “todos sabiam (das metas), agora é altura de competir.”
Fonte: Reuters
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