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Primeiro trimestre de 2026 do Grupo Renault: receitas sobem e vendas descem

Automóvel desportivo azul elétrico Renault 2026 estacionado em espaço moderno com grandes janelas.

Os resultados do primeiro trimestre de 2026 do Grupo Renault mostram um quadro paradoxal: a faturação avança, mas o volume de vendas recua.

Entre janeiro e março, o grupo entregou 546 183 veículos, o que representa uma descida de 3,3% face ao mesmo período de 2025. Ainda assim, as receitas totais subiram para 12 530 milhões de euros, mais 7,3%. No perímetro automóvel, a receita também evoluiu de forma positiva: +6,5%, para 10 807 milhões de euros.

Segundo a própria empresa, a origem desta divergência está sobretudo concentrada numa marca e num conjunto de fatores que são entendidos como temporários.

Queda nas vendas da Dacia

O recuo das vendas globais do Grupo Renault foi, em grande medida, consequência do desempenho da Dacia. A marca romena contabilizou 145 335 unidades no primeiro trimestre, traduzindo uma quebra significativa de 16,3% face ao primeiro trimestre de 2025. Este recuo foi determinante para puxar os resultados consolidados do grupo para baixo no arranque do ano.

A empresa aponta condições meteorológicas desfavoráveis nos primeiros meses como a principal explicação. A situação foi suficientemente severa para afetar a navegação no Estreito de Gibraltar em janeiro e fevereiro - com Marrocos a assumir-se como um dos principais polos de produção da Dacia -, condicionando o tráfego marítimo, os abastecimentos e as entregas e provocando perdas de produção de muitos milhares de unidades.

Em paralelo, a Dacia encontrava-se numa fase de transição na gama de motorizações, com a introdução de novas alternativas GPL e híbridas. Ainda assim, já em março surgiram sinais iniciais de retoma: na Europa, as vendas da Dacia cresceram 1,9% face a março de 2025.

Renault e Alpine a crescer

No sentido oposto, as marcas Renault e Alpine registaram evolução positiva nos primeiros três meses do ano. Globalmente, a Renault comercializou 397 602 veículos, um aumento de 2,2%, com destaque para o salto de 40% nas vendas de elétricos na Europa.

Considerando apenas o mercado europeu, a progressão foi mais vincada: +3,8%, para 255 200 unidades. O Renault 5 E-Tech manteve-se como o elétrico do segmento B mais vendido na maioria dos mercados europeus, enquanto o Renault 4 E-Tech foi ganhando tração de forma gradual.

A Alpine destacou-se como a marca com o crescimento mais forte do trimestre, ao aumentar 54,7% as vendas para 3246 veículos, impulsionada sobretudo pelo A290. O modelo mais vendido da marca somou 2452 matrículas a nível mundial (+63,9%).

Entretanto, o A390 GT, já presente nos principais mercados, continua a alargar a sua presença de forma progressiva a outros países europeus.

Perspectivas mantidas para 2026

Mesmo num contexto exigente - agravado pelo efeito da crise no Médio Oriente nos custos de matérias-primas, energia e logística -, o Grupo Renault reiterou as suas perspetivas financeiras para 2026.

A margem operacional deverá ficar em torno de 5,5%, com a expectativa de que o segundo semestre seja superior ao primeiro.

Para o restante do ano, o grupo prevê lançar na Europa a versão a GPL do Renault Clio, o Twingo elétrico, um novo elétrico da Dacia no segmento A, o Dacia Striker e o Alpine A390.

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