A Stellantis está a preparar a sua readmissão na Associação Europeia de Construtores Automóveis (ACEA), organização que tinha deixado em 2022.
Stellantis e a ACEA: saída em 2022 e intenção de regresso
Quando se desvinculou da ACEA, a empresa explicou a decisão com a vontade de seguir uma abordagem diferente para os desafios e problemas associados à mobilidade do futuro, o que passava também por abandonar o lóbi feito nos moldes tradicionais.
A intenção de voltar surge agora pouco depois de Carlos Tavares, então diretor-executivo, ter anunciado a sua demissão. A Stellantis confirmou que pretende voltar a candidatar-se à ACEA em declarações prestadas a 7 de dezembro.
Entretanto, Luca de Meo, presidente da ACEA e diretor-executivo do Grupo Renault, reagiu de forma positiva ao passo dado pela Stellantis: “Tendo em conta a crise de competitividade sem precedentes da Europa, e a necessidade coletiva de dominar os desafios da transformação verde, é mais importante do que nunca que estejamos todos unidos.”
A ACEA existe desde 1991 e representa os interesses partilhados dos fabricantes automóveis europeus. Entre os associados contam-se o Grupo Volkswagen e o Grupo Renault, bem como a Toyota e a Hyundai.
Pressão regulatória e metas de emissões de CO2
Carlos Tavares tem-se destacado por críticas ao posicionamento do lóbi automóvel, colocando-se contra algumas propostas defendidas pela ACEA, incluindo o adiamento das metas de redução de emissões de CO2 (dióxido de carbono) previstas para 2025.
Em setembro, a ACEA solicitou à União Europeia (UE) que recorresse a regulação de emergência para adiar por dois anos a aplicação das metas de emissões de 2025. Em simultâneo, pediu que a avaliação das metas para 2035 fosse antecipada para o próximo ano, em vez de ficar para 2026.
Mudança de estratégia?
O regresso à ACEA pode apontar para uma alteração de estratégia da Stellantis no que toca ao rumo da eletrificação.
Desempenho da Stellantis na União Europeia
A Stellantis é o segundo maior construtor automóvel da Europa, apenas atrás do Grupo Volkswagen. Ainda assim, o ano tem-se revelado complicado para o fabricante, que tem apresentado resultados bastante abaixo do esperado.
Na UE, e de acordo com dados da ACEA, as vendas da Stellantis caíram 6,9% nos últimos 10 meses, totalizando 1 506 185 unidades vendidas. Todas as marcas do Grupo registaram variação negativa, com a única exceção a ser a Jeep, que teve um ligeiro crescimento de 0,3%.
Já o Grupo Volkswagen, apesar dos obstáculos, conseguiu manter-se em terreno positivo: entre janeiro e outubro deste ano, subiu 2,9%, com 2 361 481 unidades vendidas.
Fonte: Reuters
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