Terminado o secundário, muitos jovens ficam presos à mesma dúvida: que direção seguir. Carolina Martins, hoje diretora financeira da Paynest - uma startup focada em soluções para a gestão financeira - lembra bem esse período de hesitação. “Aos 18 anos é um bocadinho difícil ter uma noção clara daquilo que queremos fazer para o resto da vida”, recorda. “Havia aquela ideia de que o curso que tirarmos vai definir o nosso caminho para o resto da vida”, explica.
Da indecisão ao curso de Gestão
Perante a incerteza, optou por Gestão, por ser uma área mais transversal e, na sua leitura, capaz de manter várias possibilidades em aberto. Reconhece que a decisão também acabou por ser influenciada pelo contexto familiar, então muito próximo do mesmo sector.
Já no arranque da carreira, passou pela auditoria - uma escolha deliberada para quem ainda procurava ganhar clareza sobre interesses e caminhos. Trabalhou na consultora EY, onde participou em projetos particularmente exigentes ligados ao sector financeiro.
O salto no grupo Manuel Champalimaud
A mudança decisiva aconteceu no grupo Manuel Champalimaud. Entrou para assumir a liderança da área de estratégia e aquisições, mas a evolução levou-a a administradora executiva. Tinha 31 anos. “Foi de facto o projeto da minha vida”, diz.
Ser a “mais nova na sala” não foi, garante, um obstáculo, embora trouxesse uma pressão adicional. “Havia um sentido de missão e de não falhar”, conta. “O peso da responsabilidade era diferente. Até a mim exigia estar sempre a tentar nunca pôr o pé em falso, porque era uma desculpa fácil do lado de lá dizer ‘falhou por falta de experiência’”, acrescenta a gestora.
Carolina Martins na Paynest: metas e obstáculos ao crescimento em Portugal
Concluído o mandato no grupo Manuel Champalimaud, Carolina Martins decidiu virar a página e juntar-se à Paynest, num momento em que a empresa ainda estava numa fase de crescimento. Com o negócio em expansão, os objetivos para este ano estão definidos: chegar ao break-even (o ponto em que as receitas igualam os custos) e triplicar as receitas face ao ano anterior. “Se os atingirmos será um ano extraordinário”, afirma.
Ainda assim, admite que escalar em Portugal tem dificuldades próprias: persiste alguma desconfiança em relação às startups, frequentemente associadas ao risco de falhar, e a atração de talento continua a ser um desafio - agravado pelo peso da carga fiscal. “Por muita boa vontade que tenhamos, quase 25% é para o Estado”, afirma. “É difícil pagar bons salários por muito que se queira”, conclui.
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