O que chega agora não é só mais uma evolução do Mercedes-Benz CLA: é, na prática, o pontapé de saída para uma mudança profunda na Mercedes. E a transformação começa precisamente pelo modelo de entrada na gama - já está confirmado que o Classe A e o Classe B não terão sucessores. A marca nem sequer esperou por um Classe S para estrear estas novidades - a tradição já não é o que era.
Na prática, isto quer dizer que o estilo e as soluções técnicas deste CLA vão influenciar os próximos lançamentos do construtor, incluindo o seu topo de gama, o Classe S.
O Mercedes-Benz CLA 2025 foi apresentado hoje em Roma, mas Diogo Teixeira teve oportunidade de o ver há cerca de um mês, na fábrica de Sindelfingen, na Alemanha, e explica-o ao pormenor: do design exterior ao habitáculo, sem esquecer o novo sistema operativo e uma cadeia cinemática focada na eficiência.
O mais eficiente
À primeira vista, a silhueta mantém-se reconhecível, mas não há margem para dúvidas: este CLA é totalmente novo. Da geração anterior, o que parece permanecer é essencialmente o nome.
A base técnica é a nova plataforma MMA, pensada sobretudo para veículos elétricos, embora continue a admitir motores de combustão. Por isso, o CLA será disponibilizado tanto em versão 100% elétrica como híbrida.
No lado elétrico, trata-se do primeiro Mercedes com arquitetura de 800 V, anunciando carregamentos até 320 kW - em 10 minutos promete recuperar energia para 300 km, um valor recorde no segmento.
E a marca garante um nível de eficiência muito elevado - o mais eficiente da sua classe -, com autonomia até 792 km e consumos combinados WLTP de 12,2 kWh/100km.
O CLA 100% elétrico - com EQ Techonolgy, na terminologia da Mercedes - arranca no mercado com duas variantes, uma de tração traseira e outra de tração integral, o que corresponde, respetivamente, a configurações com um e dois motores:
- CLA 250+ - 1 motor traseiro; 200 kW (272 cv); bateria de 85,5 kWh; autonomia entre 694 km e 792 km
- CLA 350+ 4MATIC - 2 motores (frente e trás); 260 kW (354 cv); bateria de 85,5 kWh; autonomia entre 670 km e 770 km.
Para reforçar esta aposta na eficiência, a Mercedes-Benz equipou o seu novo elétrico com uma caixa de duas velocidades, uma solução ainda pouco comum no mercado - um dos raros exemplos com abordagem semelhante é o Porsche Taycan.
Segundo o construtor, a decisão prende-se com a procura do melhor rendimento possível em qualquer cenário: desde o pára-arranca urbano até ritmos elevados em autoestrada.
Quanto ao híbrido ligeiro, só chegará numa fase posterior. Estreia um novo motor a gasolina de 1,5 l, fornecido pela Horse, a empresa conjunta entre a Renault e a Geely dedicada a motores de combustão e sistemas híbridos.
A Mercedes-Benz fala em consumos ao nível de um Diesel para esta unidade a gasolina eletrificada «suavemente» - e explica de que forma isso é alcançado:
O mais tecnológico
Para lá da eficiência, o grande trunfo do Mercedes-Benz CLA 2025 é a tecnologia. Integra a nova geração de veículos definidos por software (SDV), em que a integração do software sobe de patamar e passa a poder intervir sobre todos os sensores e controladores.
A estreia faz-se com o novo sistema operativo proprietário da marca, o MB.OS, que serve de alicerce à próxima geração do MBUX, o sistema de infoentretenimento.
Tal como se observa no vídeo, há sinais de melhorias na direção certa ao nível da usabilidade.
O sistema operativo foi ainda otimizado com apoio de Inteligência Artificial e, no infoentretenimento, passam a existir dois sistemas acessíveis: Chat GPT e Google Gemini.
E mais?
Se eficiência e tecnologia estão no centro das atenções, há outros pontos positivos com impacto direto na utilização diária.
Um deles é o aumento da habitabilidade, sobretudo nos lugares traseiros - uma fragilidade do CLA atual. Para o conseguir, a plataforma MMA dá ao CLA mais 61 mm de distância entre eixos, e a altura cresceu também 29 mm. Além disso, desaparece o túnel de transmissão central, como acontece em muitos elétricos.
E para não penalizar a cota em altura, o teto panorâmico deixou de ter cobertura e passa a ser de série em todas as versões. A Mercedes assegura que, mesmo nos dias mais quentes, o interior não se transforma num forno - algo que só poderá ser confirmado num primeiro ensaio, previsto para uma das fases mais quentes do ano.
A forma exterior, apesar de familiar, é igualmente uma das mais aerodinâmicas já vistas com a estrela da Mercedes: o Cx fica-se por 0,21 e, ao contrário do que sucedeu com EQS e EQE (com coeficientes semelhantes), não foi necessário sacrificar a estética.
Se por fora se trata de uma evolução, por dentro o salto é mais claro face ao passado. Os ecrãs continuam a dominar e, de série, existem dois: um de 10,25″ para o painel de instrumentos e um central de 14″ para o infoentretenimento. Opcionalmente, pode ser instalado um terceiro ecrã, também de 14″, à frente do passageiro, assumindo o papel de centro de entretenimento - aqui será possível ver séries, filmes e até jogar com um comando sem fios.
Mas, tão relevante quanto isto, e como o Diogo assinala, está a melhoria generalizada na qualidade dos materiais e dos acabamentos, dois dos reparos mais frequentes ao modelo atual.
Quando chega?
A chegada do novo Mercedes-Benz CLA está prevista para setembro, numa primeira fase com as duas versões elétricas 250+ e 350+. As restantes variantes surgem mais tarde, sendo que o híbrido ligeiro só está previsto para 2026.
Ainda não há preços comunicados, mas, de acordo com Ola Källenius, diretor-executivo da Mercedes-Benz, os valores do CLA elétrico e do híbrido deverão ser semelhantes.
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