Receitas e lucro do Grupo BMW no 1.º trimestre
No primeiro trimestre deste ano, o Grupo BMW foi afetado por um contexto cada vez mais difícil para o setor automóvel. As receitas baixaram 8,1% para 31 mil milhões de euros, ao passo que o lucro antes de impostos encolheu 24,6% para 23 mil milhões de euros.
China e tarifas norte-americanas agravam a margem operacional
A deterioração do desempenho teve sobretudo dois fatores por detrás: a retração do mercado chinês e o efeito crescente das tarifas norte-americanas. Só estas últimas retiraram ao grupo cerca de 1,25 pontos percentuais de margem operacional.
Divisão automóvel: entregas, receitas e margem operacional
Na divisão automóvel - que reúne BMW, MINI e Rolls-Royce - as entregas totais recuaram 3,5%, fixando-se em 565 780 unidades. Em paralelo, as receitas diminuíram 7% para 27,2 mil milhões de euros. Já a margem operacional caiu de 6,9% para 5%.
Desempenho por região: China em queda e Europa em alta
A China, um mercado-chave para a marca, concentrou grande parte das dificuldades, com as entregas a descerem 10% para pouco mais de 144 mil unidades. Também os Estados Unidos mostraram sinais de abrandamento (-4,3%), pressionados pelo fim dos incentivos à compra de elétricos e pelo agravamento das tarifas de importação. As regiões da Ásia-Pacífico, Médio Oriente, África e Europa de Leste registaram igualmente uma redução acentuada de 8,3%.
Em sentido contrário, a Europa - o maior mercado da marca - foi a única região a avançar, com um aumento de 3,1% e 236 770 unidades entregues. A Alemanha destacou-se neste desempenho, ao crescer 7%.
MINI contra a maré
Entre as marcas do grupo, a MINI foi a única a apresentar crescimento, com uma subida de 6% e mais de 68 mil unidades entregues. A BMW, por sua vez, desceu 4,6% para cerca de 496 mil unidades. A Rolls-Royce teve a maior quebra (-8%), com 1271 unidades vendidas.
Elétricos, híbridos plug-in e veículos eletrificados
O construtor alemão, que até há pouco tempo liderava a quota de elétricos face a Audi e Mercedes-Benz, registou uma descida nas entregas de elétricos de 20,1% para apenas 87 mil unidades. No mesmo período do ano passado, a marca tinha vendido mais de 109 mil unidades.
Nos híbridos plug-in, as entregas caíram 15,8% para cerca de 45 mil unidades. No conjunto, as vendas de veículos eletrificados recuaram 15,8%, ficando-se por 132 mil unidades entregues.
Para o resto do ano
O Grupo BMW não prevê uma inversão relevante desta tendência no resto de 2026. A perspetiva é de que o mercado automóvel global continue a contrair ligeiramente, num cenário de incerteza geopolítica, volatilidade tarifária e do conflito no Médio Oriente, que mantém pressão sobre os preços da energia e a inflação.
Para a divisão automóvel, a margem operacional deverá situar-se entre os 4% e os 6%, e as entregas globais deverão manter-se em linha com 2025.
Num registo mais otimista, o grupo antecipa novas reduções nos custos de investimento, produção, investigação e desenvolvimento e despesas administrativas. Ainda assim, o impacto das tarifas na margem operacional deverá continuar presente, embora com menor intensidade.
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