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Naim Qassem rejeita desarmamento do Hezbollah e ameaça Israel

Pessoas de fato à mesa com mapa, miniaturas de mísseis e ramos de oliveira simbolizando guerra e paz.

O secretário-geral do Hezbollah, Naim Qassem, recusou, esta terça-feira, que o Líbano trate com Israel o desarmamento do movimento libanês pró-iraniano e advertiu que está disposto a tornar o confronto com o exército israelita num inferno.

Mensagem de Naim Qassem sobre o desarmamento do Hezbollah

Num comunicado dirigido aos combatentes do Hezbollah, Qassem sublinhou que o dossiê das armas não deve ser colocado na mesa com Israel. "As armas e a Resistência não dizem respeito a ninguém fora do Líbano (...) é uma questão interna libanesa que não faz parte das negociações com o inimigo", afirmou.

Na mesma mensagem, elevou o tom em relação ao conflito, prometendo endurecer a resposta: "Não nos renderemos e transformaremos a batalha num inferno para Israel", declarou, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP).

Negociações Líbano-Israel e a posição do Hezbollah

Estas declarações surgem numa fase em que Líbano e Israel deverão avançar para uma nova ronda de conversações em Washington, na próxima quinta-feira.

Do lado israelita, uma das exigências dirigidas ao Governo do Líbano para pôr termo às hostilidades passa, entre outras condições, pelo desarmamento do Hezbollah.

Qassem rejeitou igualmente a possibilidade de contactos diretos entre o Líbano e Israel. "Apelamos à opção por negociações indiretas, em que os trunfos estejam nas mãos do negociador libanês, e ao abandono das negociações diretas, que apenas pressupõem benefícios para Israel e concessões gratuitas por parte das autoridades libanesas", sustentou.

O líder do Hezbollah garantiu, por sua vez, que o grupo manterá a luta armada contra Israel pelo tempo que considerar necessário. "Não nos submeteremos nem nos renderemos, e continuaremos a defender o Líbano e o seu povo, por muito tempo que passe e por maiores que sejam os sacrifícios, que são menores do que o preço da rendição", disse.

Na mesma linha, acrescentou: "O inimigo acabará por ceder, tarde ou cedo", numa declaração também citada pela agência de notícias espanhola EFE.

Contexto do conflito e impacto no Líbano

O Hezbollah voltou a envolver diretamente o Líbano na guerra no Médio Oriente ao atacar Israel em 02 de março, dois dias depois de o líder iraniano, Ali Khamenei, ter sido morto no início da ofensiva israelo-americana contra Teerão.

Israel argumentou que as ações do Hezbollah representavam uma violação do cessar-fogo de novembro de 2024, acordo que tinha travado a guerra em curso no sul do Líbano desde outubro de 2023.

A rivalidade armada entre o Hezbollah e Israel tem raízes em 1982, ano em que a organização política e paramilitar fundamentalista foi criada com o objetivo de enfrentar a invasão do Líbano por Israel.

Entretanto, Naim Qassem, clérigo xiita que assumiu a liderança após a morte de Hassan Nasrallah - morto em Beirute num ataque do exército israelita em 27 de setembro de 2024 -, reafirmou a recusa em discutir o desarmamento com Israel e em aceitar negociações diretas.

O Líbano figura entre os países mais atingidos pela guerra israelo-americana contra o Irão, registando 2.869 mortos desde 02 de março até segunda-feira, segundo um balanço oficial divulgado Ministério da Saúde libanês.

Israel optou por não incluir o Líbano no cessar-fogo negociado entre os Estados Unidos e o Irão, que entrou em vigor em 08 de abril, com vista a permitir conversações sob mediação do Paquistão.

Mais tarde, Israel aceitou uma trégua em 17 de abril para negociar com as autoridades de Beirute o fim do conflito. Ainda assim, os confrontos não pararam: forças israelitas e Hezbollah têm trocado disparos diariamente.

Os combates concentram-se sobretudo no sul do Líbano, zona onde Israel controla uma faixa com cerca de 10 quilómetros a partir da fronteira.

O Hezbollah dispõe de um braço armado, o Conselho da Jihad, e integra o chamado "Eixo da Resistência", uma coligação de grupos radicais financiada pelo Irão para atuar contra interesses israelitas e norte-americanos na região.

No plano interno, a componente política do Hezbollah - o partido Lealdade à Resistência - tem 15 deputados (mais três do que em 2018) entre os 178 que compõem o parlamento do Líbano.

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