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Keir Starmer promete "provar que estão erradas" após resultados eleitorais negativos

Homem de fato e gravata com roseta vermelha dá entrevista segurando jornal diante de microfones.

O discurso desta manhã do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, é visto como uma tentativa de resgatar a sua liderança num momento de forte turbulência política, depois de resultados eleitorais locais e regionais particularmente negativos que deixaram o Partido Trabalhista mergulhado numa crise profunda.

Nas eleições da semana passada, o partido atualmente no poder perdeu cerca de 1.500 eleitos locais, deixou de controlar 40 autarquias e, pela primeira vez, ficou sem maioria no parlamento autónomo do País de Gales.

Keir Starmer reage às críticas após os resultados eleitorais

Perante este cenário, Starmer admitiu hoje de manhã que a sua liderança está a ser alvo de críticas, mas garantiu que tenciona responder com resultados e "provar que estão erradas".

"Sei que as pessoas estão frustradas com o estado do Reino Unido, frustradas com a política, e algumas estão frustradas comigo. Sei que tenho críticos e sei que preciso de provar que estão erradas - e vou fazê-lo", afirmou num discurso esta manhã.

O primeiro-ministro descreveu como duros os resultados eleitorais da semana passada e assumiu a responsabilidade pelo desfecho, ao mesmo tempo que alertou para o facto de o país estar a atravessar "tempos perigosos" e enfrentar "adversários muito perigosos".

"Não dói apenas porque o Partido Trabalhista teve maus resultados, mas porque, se não fizermos isto bem, o nosso país seguirá um caminho muito sombrio", avisou.

Starmer afasta a hipótese de se demitir

Starmer insistiu que não planeia abandonar o cargo, argumentando que uma saída provocaria instabilidade no país, à semelhança do que, segundo ele, aconteceu com anteriores governos conservadores.

"Um governo trabalhista nunca seria perdoado por voltar a infligir isso ao país", concluiu.

Pressão interna no Partido Trabalhista e nomes em destaque

A contestação interna ao primeiro-ministro intensificou-se rapidamente e, até agora, mais de 30 deputados trabalhistas pediram publicamente a sua demissão, num universo de 403 parlamentares que sustenta a maioria na Câmara dos Comuns.

Entre as vozes mais críticas sobressai a ex-secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros, Catherine West, até aqui pouco conhecida, que disse estar disposta a avançar com uma candidatura se o discurso não fosse considerado suficiente e se não surgisse entretanto outro nome forte.

Durante o fim de semana, West tinha sugerido que o núcleo duro do Governo pressionasse Starmer a sair e escolhesse um novo líder - um cenário que, para já, não se concretizou.

Entretanto, Angela Rayner, antiga vice-primeira-ministra, elevou a pressão interna ao classificar como um "erro" a decisão de impedir o presidente da Câmara Municipal de Manchester, Andy Burnham, de se candidatar a deputado em fevereiro.

Burnham tinha manifestado a intenção de deixar o cargo atual para regressar ao parlamento, mas a direção do partido travou essa possibilidade e, no desfecho, acabou por perder a circunscrição de Gorton e Denton para os Verdes.

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