Condenação no Tribunal de Almada
O Tribunal de Almada aplicou uma pena de 25 anos de prisão a Pedro Antiqua da Cruz, segurança no aeroporto de Lisboa, pela morte de Alcinda Cruz, de 46 anos, no Barreiro. O arguido foi considerado culpado de homicídio qualificado e de dois crimes de violência doméstica: um cometido contra a vítima mortal e outro contra a filha desta, então com 21 anos, a quem também dirigia comportamentos de importunação sexual.
Cronologia do crime no Barreiro
Os factos ocorreram a 8 de janeiro de 2025, na residência do casal, na Rua General Norton de Matos, no centro do Barreiro. De acordo com a acusação que o tribunal deu como provada, Alcinda viveu durante 17 anos sob violência doméstica e um controlo total por parte do arguido.
Nessa noite, por volta das 22.30 horas, depois de uma discussão relacionada com quem suportava o pagamento da explicação do filho mais velho, Alcinda foi agredida. Pedro saiu de casa, afirmando que se ia matar. Porém, regressou pouco depois e encontrou a mulher a telefonar à filha. O facto de ver a vítima a pedir ajuda desencadeou a sua intenção de a matar.
Filho telefonou para o 112
Pedro foi à cozinha, apoderou-se de uma faca e uma tesoura e investiu contra a mulher de forma brutal. O filho mais velho, de 14 anos, ligou para o 112, tentou separar o pai da mãe e mandou o irmão, de seis anos, esconder-se no quarto, debaixo da cama, antes de fugir.
Em seguida, o arguido asfixiou a vítima e mordeu-lhe com violência o pescoço, provocando uma hemorragia abundante. Logo depois, usando a faca e a tesoura, desferiu 49 golpes no pescoço, na face e no peito de Alcinda. As lesões acabaram por ser mortais.
Fuga, entrega e detenção
Após o homicídio, o agressor pôs-se em fuga, deixando o filho mais novo escondido debaixo da cama e o mais velho acolhido em casa de vizinhos, para onde tinha escapado. Mais tarde, já procurado, apresentou-se à PSP e acabou detido pela PJ de Setúbal.
17 anos de violência doméstica e controlo
A investigação desenhou um quadro de violência doméstica prolongada por mais de 17 anos, desde que o casal casou e se fixou no Barreiro, vindo de Cabo Verde. Segundo ficou assente, "Desde o início do matrimónio que Pedro era uma pessoa ciumenta, possessiva, agressiva, controladora, não gostando de ser contrariado".
O arguido impedia a vítima de manter contactos com familiares e amigos e restringia até momentos de convívio, apesar de existirem dois filhos em comum, com 14 e seis anos. Também vigiava de perto o telemóvel.
Ao longo do casamento, multiplicaram-se agressões e insultos. O homem ameaçava matar a companheira e os filhos caso ela o abandonasse, ameaças que, segundo foi considerado provado, contribuíram para que a vítima não conseguisse afastar-se.
Enteada saiu de casa, após importunação
Em audiência, ficou igualmente demonstrado que Pedro Antiqua da Cruz importunava sexualmente a filha de Alcinda. Em 2018, quando a jovem tinha 15 anos, o padrasto começou a apalpá-la e, nessa altura, chegou a dizer-lhe que matava a mãe e os meninos para poderem ficar juntos.
Quando a enteada fez 21 anos e iniciou um relacionamento, o arguido manifestou ciúmes, o que acabou por desencadear mais uma agressão a Alcinda Cruz. Em 2022, a jovem acabou por abandonar a casa, por temer pela própria vida.
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