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Irão executa homem por espionagem para serviços secretos israelitas e norte-americanos

Homem sério sentado numa secretária a segurar uma pen USB, com portátil aberto e desenhos técnicos à sua frente.

Execução no Irão por alegada espionagem

A justiça iraniana anunciou esta segunda-feira a execução de um homem acusado de espiar para os serviços secretos de Israel e dos Estados Unidos, no mais recente caso de uma vaga de penas de morte desde o início da guerra desencadeada por aqueles dois países.

De acordo com a Mizan, órgão de comunicação do poder judicial, Erfan Shakourzadeh "foi enforcado por colaboração com os serviços de informações dos Estados Unidos e a Mossad", a agência de informações externas israelita.

Quem era Erfan Shakourzadeh

Segundo as organizações não-governamentais Hengaw e Iran Human Rights (IHR), ambas sediadas na Noruega, Shakourzadeh estudava na reputada Universidade de Ciência e Tecnologia de Teerão.

Antes de ser executado - sem que tenha sido divulgada a data -, o homem deixou uma mensagem na qual negava as acusações.

"Não deixem que outra vida inocente desapareça em silêncio e sem atenção pública", escreveu, de acordo com as mesmas organizações.

A Hengaw acrescentou que o estudante de mestrado em engenharia aeroespacial terá sido "submetido a nove meses de severas torturas físicas e psicológicas em isolamento para extorquir confissões forçadas".

Acusações, “confissões” e setor espacial

Ainda segundo a Mizan, Shakourzadeh foi acusado de ter transmitido, "deliberadamente", informações classificadas à CIA e à Mossad enquanto trabalhava numa "das organizações científicas do país ativas no setor espacial".

A Mizan indicou também que as "confissões" do estudante deverão ser transmitidas hoje à noite pela televisão estatal.

A República Islâmica tem sido, há muito, alvo de suspeitas por parte de países ocidentais, que a acusam de usar o programa espacial para desenvolver capacidades no domínio de mísseis balísticos.

Escalada de detenções e execuções desde 28 de fevereiro

No Irão, as detenções e as execuções intensificaram-se após o ataque israelo-norte-americano de 28 de fevereiro, que desencadeou uma guerra regional.

A IHR contabilizou cerca de 30 execuções desde essa data: cinco por espionagem, 13 por alegadas ligações aos protestos de janeiro, uma associada à vaga de contestação de 2022 e outras 10 por pertença a grupos de oposição proibidos.

Organizações de defesa dos direitos humanos, entre as quais a Amnistia Internacional (AI), referem que o Irão é o país que mais aplica a pena de morte a seguir à China.

As autoridades terão executado pelo menos 1.639 pessoas em 2025, o número mais elevado desde 1989, segundo dados divulgados recentemente pela IHR e pela organização não-governamental Ensemble Contre la Peine de Mort (ECPM -- Juntos Contra a Pena de Morte).

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