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Ministro da Saúde da RDCongo alerta para a elevada mortalidade do vírus ébola

Homem explica prevenção de vírus a grupo sentado, com mapa e medicamentos numa sala simples.

Alerta do Ministério da Saúde sobre a estirpe Bundibugyo do vírus Ébola

O ministro da Saúde da República Democrática do Congo (RDCongo) avisou este sábado que a estirpe do vírus ébola associada à epidemia em curso "tem uma taxa de mortalidade muito elevada" e sublinhou que, por enquanto, não existe vacina nem tratamento específico.

Citado pela agência de notícias France-Presse (AFP), Samuel-Roger Kamba explicou, numa conferência de imprensa em Kinshasa, que se trata de uma variante particularmente letal. O responsável frisou: "Não existe vacina nem tratamento específico para combater esta variante, que tem uma taxa de mortalidade muito elevada, que pode chegar aos 50%".

Balanço do surto em Ituri e zonas afetadas

O surto de ébola na província de Ituri, no leste da RDCongo, provocou já 80 mortos, segundo um comunicado do Ministério da Saúde congolês citado pela agência espanhola EFE. No mesmo comunicado, divulgado na sexta-feira, o ministro Samuel Roger Kamba Mulamba declarou: "Foram reportados 246 casos suspeitos e 80 mortes, das quais quatro testaram positivo".

A doença foi identificada nas localidades de Rwampara, Mongwalu e Bunia.

Confirmações laboratoriais e amostras recolhidas

Testes efetuados pelo Instituto Nacional de Investigação Biomédica da RDCongo confirmaram, até ao momento, oito casos positivos de doença pelo vírus Ébola em 13 amostras recolhidas, correspondentes à estirpe Bundibugyo. As outras cinco amostras não puderam ser analisadas por não terem volume suficiente.

Medidas do Governo e apoio de organismos internacionais

Perante a situação, o Governo da RDCongo ativou o Centro de Operações de Emergência, reforçou a vigilância epidemiológica em Ituri e avançou com medidas urgentes, como assistência médica gratuita, o envio de equipas de intervenção rápida e o controlo de fronteiras. As autoridades apelaram ainda à população para manter uma higiene rigorosa e reportar sintomas, sem alarmismo.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) deslocou especialistas e enviou cinco toneladas de material médico de Kinshasa para Bunia, com o objetivo de reforçar a resposta no terreno.

Entretanto, o Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC), da União Africana, acionou igualmente uma resposta regional abrangente ao surto. O organismo alertou para o risco elevado de transmissão devido à "intensa movimentação" de pessoas associada à mineração e à proximidade com o Uganda - que já registou um caso importado - e com o Sudão do Sul.

A agência mobilizou equipas de emergência para centralizar a gestão de material médico e convocou hoje uma reunião com parceiros internacionais e a OMS, procurando garantir apoio político ao mais alto nível.

Contexto: surtos anteriores na RDCongo e sintomas

O mais recente surto na RDCongo tinha ocorrido no final de 2015, na província de Kasai (região centro). Este é o 16.º no país desde que o vírus foi identificado, em 1976. De acordo com a OMS, o ébola apresenta uma taxa de mortalidade entre os 60% e os 80%, é transmitido através de fluidos corporais e causa febre alta, fraqueza intensa e hemorragias graves.

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