Wes Streeting, antigo ministro da Saúde britânico, anunciou este sábado que vai avançar com uma candidatura à liderança do Partido Trabalhista, enfrentando o atual primeiro-ministro, Keir Starmer.
Numa conferência em Londres promovida pela plataforma política Progress (Progresso), Streeting afirmou aos jornalistas: "Precisamos de uma disputa justa com os melhores candidatos, e eu vou candidatar-me".
Pressão interna sobre Keir Starmer e condições para o desafio
A posição de Starmer saiu fragilizada depois de mais de 80 deputados trabalhistas lhe terem exigido a saída ou, em alternativa, a apresentação de um calendário para abandonar o cargo, na sequência dos resultados das eleições locais em Inglaterra e das regionais na Escócia e no País de Gales.
Já esta semana, na sua carta de demissão, o ex-responsável pela Saúde declarou ter "perdido a confiança" em Starmer enquanto líder e defendeu que se abrisse um debate sobre a liderança futura do Partido Trabalhista "com o melhor conjunto de candidatos". Para formalizar um desafio à liderança de Starmer, Streeting terá de reunir o apoio de, pelo menos, 81 deputados trabalhistas - o equivalente a 20% do grupo parlamentar do partido.
Streeting sustentou ainda que os trabalhistas precisam de fazer uma campanha interna sólida e que o processo deve ser equitativo entre "candidatos que possam demonstrar as melhores qualidades".
Wes Streeting e a Europa: "uma nova relação" e críticas ao Brexit
No seu discurso, Streeting posicionou-se a favor de "uma nova relação" com a Europa e admitiu um possível regresso do Reino Unido à União Europeia (UE). Na sua perspetiva, a saída do bloco europeu - o Brexit, decidido em referendo em 2016 - foi "um erro catastrófico". Defendeu também que uma ligação mais estreita com os vizinhos europeus teria contribuído para reconstruir a economia e o comércio e para reforçar a defesa.
Andy Burnham, calendário das candidaturas e pano de fundo eleitoral
A corrida à liderança trabalhista conta ainda com Andy Burnham como outro nome em cima da mesa, depois de ter recebido "luz verde" na sexta-feira para entrar na disputa por um lugar no parlamento. Se for o escolhido para ocupar a vaga no círculo eleitoral inglês de Makerfield - aberta após a demissão do deputado trabalhista Josh Simons - Burnham poderá então candidatar-se oficialmente à liderança do partido no poder.
Burnham, presidente da câmara da Grande Manchester, obteve na sexta-feira a aprovação do Comité Executivo Nacional.
O prazo para a entrega das candidaturas deverá encerrar na segunda-feira, sendo esperado que o nome escolhido seja anunciado na quinta-feira.
A mais recente crise interna no Reino Unido agravou-se após a derrota trabalhista nas eleições locais de 7 de maio, em que a formação liderada por Nigel Farage (extrema-direita) ganhou terreno, ao mesmo tempo que os Verdes se afirmaram em algumas circunscrições de Londres.
Por agora, Starmer tem resistido às críticas e rejeitou demitir-se, argumentando que esse passo apenas iria aprofundar "o caos político" no país, apesar de na última semana pelo menos quatro membros do Governo britânico se terem demitido para forçar uma mudança de liderança.
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