A Volkswagen revelou os novos Golf e T-Roc híbridos, com chegada prevista para o último trimestre do ano. O sistema escolhido dispensa carregamento externo e aproxima a marca alemã do tipo de solução que a Toyota tem vindo a usar há décadas.
Depois de um longo período a privilegiar híbridos plug-in e elétricos a bateria, a Volkswagen posiciona-se agora no «meio» da eletrificação com uma proposta que promete elevar a eficiência - a marca aponta para consumos e emissões abaixo dos seus mild hybrid - sem depender de qualquer ponto de carregamento. No papel, é uma combinação apelativa. Resta esperar para perceber como se traduz no uso real.
Como funcionam os novos híbridos da Volkswagen?
A arquitetura do sistema é relativamente direta e assenta em componentes, em parte, já familiares. Junta um motor a gasolina 1.5 TSI evo2 e uma caixa de dupla embraiagem DSG de sete relações a dois motores elétricos e a uma bateria de iões de lítio (química NMC) com 1,6 kWh de capacidade (bruta), instalada sob o banco traseiro.
O módulo híbrido concentra quase todos os elementos num conjunto: o motor elétrico responsável pela tração, um segundo motor elétrico dedicado a funções de gerador, a eletrónica de controlo, o diferencial e uma caixa redutora (com uma relação). Soma-se ainda uma embraiagem multidisco, com unidade de controlo própria, que permite acoplar ou desacoplar o motor térmico da transmissão sempre que o sistema o exija.
Aqui não existe ligação à tomada: a energia elétrica é produzida a bordo, quer através da recuperação nas desacelerações, quer recorrendo ao próprio motor de combustão, que pode operar como gerador.
Para já, a Volkswagen confirmou dois níveis de potência - 136 cv e 170 cv -, mantendo o binário máximo de 306 Nm comum em ambas as versões.
Três modos, três formas de funcionar
O aspeto mais interessante está na forma como estes componentes são geridos. À semelhança do que acontece nos híbridos da Toyota, o sistema alterna automaticamente entre três modos essenciais: elétrico, série e paralelo.
Em velocidades reduzidas, os Golf e T-Roc Hybrid conseguem deslocar-se apenas com o motor elétrico, mantendo o motor de combustão desligado. Como a bateria é pequena, a autonomia em modo elétrico deverá ser limitada - 2-3 km -, tal como se observa noutros híbridos.
No modo série, o motor a gasolina entra em funcionamento, mas não para transmitir força diretamente às rodas. A tração continua a cargo do motor elétrico, enquanto o motor de combustão atua como gerador, produzindo eletricidade para alimentar o motor elétrico. É um princípio semelhante ao do sistema e-Power da Nissan, usado, por exemplo, no Qashqai.
No modo paralelo, a velocidades mais altas, o motor térmico passa a ser o principal responsável pela tração, a partir dos 60 km/h. Ainda assim, o motor elétrico mantém-se ativo para dar assistência quando é necessário mais esforço, como numa manobra de ultrapassagem.
Quando chegam?
Os novos Volkswagen Golf e T-Roc híbridos deverão chegar ao mercado no final de 2026. Com esta tecnologia, a Volkswagen passa a contar com três patamares de eletrificação parcial: mild hybrid (eTSI), híbrido completo (Hybrid) e híbrido plug-in (eHybrid).
Trata-se de uma adoção tardia por parte da Volkswagen - além da Toyota, também a Honda, Nissan, Hyundai/Kia e Renault/Dacia já oferecem há anos híbridos que não precisam de ser ligados à corrente -, mas considerada necessária para responder às metas de redução de emissões impostas pela União Europeia.
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