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Trump adia tarifas de 25% ao México e ao Canadá e poupa indústria automóvel via USMCA

Homem de uniforme azul em fábrica automóvel com robôs industriais e carro elétrico ao fundo.

As tarifas de 25% anunciadas pelos EUA para todos os bens importados do México e do Canadá nem chegaram a durar um dia. Donald Trump voltou a empurrar a sua entrada em vigor por mais um mês - até 2 de abril -, mas esta exceção aplica-se apenas à indústria automóvel.

O adiamento foi decidido após conversações com a Stellantis, a Ford e a General Motors, e em troca Trump quer que sejam respeitadas as regras do acordo comercial já em vigor entre Estados Unidos, México e Canadá (USMCA).

“Vamos dar uma isenção de um mês a qualquer automóvel que venha através do USMCA”, disse a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, numa conferência de imprensa.

A secretária de imprensa da Casa Branca confirma que foi aplicada uma isenção de um mês à tarifa de 25% sobre o Canadá e o México para automóveis, a pedido dos três grandes construtores, que falaram com Trump ontem à noite #cdnpoli pic.twitter.com/ghLXhAj9Sl - Mackenzie Gray (@Gray_Mackenzie) 5 de março de 2025

O USMCA inclui critérios exigentes: para ficarem livres de tarifas de importação, os automóveis têm de incorporar 75% de componentes provenientes da América do Norte.

O acordo define ainda que 40-45% do valor do veículo tem de ser produzido por trabalhadores a ganhar, pelo menos, 16 dólares à hora. O objetivo é incentivar mais produção nos EUA e no Canadá do que no México, onde os salários tendem a ser mais baixos.

Apesar de estas regras estarem plenamente em vigor desde 2023, continuam a existir muitos veículos montados na América do Norte que não cumprem os requisitos. Segundo um relatório do Escritório do Representante do Comércio dos EUA, 8,2% dos automóveis que entraram nos EUA a partir do Canadá ou do México foram alvo de impostos.

As beneficiadas

Como já cumprem as condições do USMCA, a Stellantis, a Ford e a GM ficam, pelo menos nos próximos 30 dias, a salvo do impacto destas novas tarifas.

Quando a aplicação das novas taxas de importação foi anunciada, estimou-se que os construtores europeus pudessem acumular perdas conjuntas de milhares de milhões de euros. No caso da Stellantis, calculava-se que os lucros pudessem cair em 3,44 mil milhões de euros.

Do lado norte-americano, a Stellantis - Jeep, Ram, Chrysler e Dodge - mantém uma forte base industrial tanto no Canadá como no México, algo que também acontece com a GM e com a Ford. Só em 2024, a GM importou 750 mil veículos do Canadá e do México para os EUA.

Efeito na economia dos EUA

A incerteza associada às tarifas já começou a refletir-se na economia dos EUA. Em termos gerais, as empresas estão a reduzir o ritmo de contratações e, para quem muda de emprego, os salários oferecidos estão a ficar mais baixos. Estes sinais alimentam as preocupações em torno do efeito da política comercial de Trump.

Jim Farley, diretor executivo da Ford, já tinha deixado um aviso sobre as consequências, ainda antes de as tarifas avançarem: “Tarifas significam preços mais altos para os clientes”.

Abertos a mais exceções

Embora a decisão beneficie apenas o setor automóvel, a Casa Branca indicou que está disponível para negociar isenções também noutros setores.

Não é a primeira vez que Donald Trump recua nas tarifas aplicadas ao México e ao Canadá. Numa fase inicial, as taxas estavam previstas para 4 de fevereiro, mas foram adiadas para 4 de março.

A China, por sua vez, não recebeu qualquer isenção. A 4 de fevereiro, entraram em vigor tarifas de 10% sobre todos os bens exportados para os EUA e, a 4 de março, essas tarifas foram agravadas em mais 10 pontos percentuais. Passaram, assim, para 20%.

Fonte: Reuters

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