Donald Trump foi esta semana confirmado como o 47.º presidente dos Estados Unidos da América (EUA), notícia que reacendeu a inquietação entre os construtores automóveis fora do país.
Ainda antes de ganhar as eleições, Trump já tinha antecipado que, no primeiro dia de mandato, pretende desfazer medidas consideradas favoráveis aos veículos elétricos. Entre as intenções apontadas está a anulação das regras publicadas recentemente pela Agência de Proteção do Ambiente (EPA) e o fim dos incentivos fiscais destinados a veículos elétricos.
Regulamentação ambiental: regras da EPA e exceção da Califórnia
Após o resultado eleitoral, a Associação Americana de Transportes Rodoviários (ATA) apelou a Trump para que substitua as exigentes normas de emissões da EPA por padrões nacionais “tecnologicamente alcançáveis e que tenham em consideração a realidade operacional do setor”.
As regras em vigor da EPA estabelecem que, até 2032, as emissões de dióxido de carbono (CO2) geradas pelos veículos atuais devem ser reduzidas para metade.
Paralelamente, Trump quer também retirar ao Estado da Califórnia a possibilidade de definir as suas próprias normas de emissões, retomando uma iniciativa que já tinha iniciado em 2019.
Veículos elétricos: investimentos em risco e reação da indústria
Estas mudanças regulatórias representam, na prática, mais espaço para a produção de automóveis com motor de combustão, mas ao mesmo tempo levantam dúvidas sobre o rumo de investimentos de milhares de milhões de euros já direcionados para tecnologias capazes de cortar emissões.
A Associação do Transporte com Emissões Zero (que integra empresas como a Tesla, a Rivian, a Lucid e até a LG, fabricante de baterias) disse estar disponível para colaborar com Trump.
“Os próximos quatro anos vão ser decisivos para garantir que estas tecnologias são desenvolvidas e implementadas por trabalhadores americanos em fábricas americanas durante gerações.”
Associação do Transporte com Emissões Zero
Importa ainda sublinhar o apoio expressivo de Elon Musk, diretor-executivo da Tesla, a Donald Trump durante a campanha. Esse alinhamento motivou elogios públicos de Trump a Musk e até promessas de um lugar no governo. Depois da vitória de Trump, as ações da Tesla avançaram mais de 14% na abertura do mercado norte-americano.
Novas tarifas?
Ao longo da campanha, o novo presidente afirmou querer impor tarifas adicionais até 200% sobre automóveis importados do México, assinalando que a medida poderá estender-se a outros países.
Trump chegou a admitir tarifas até 2000% para determinados veículos estrangeiros, afirmando: “Se eu for presidente deste país, vou aplicar uma tarifa de 100, 200, 2000%”, com a intenção de tornar inviável a comercialização desses automóveis nos EUA.
Se a nova administração avançar com tarifas extra à importação, vários fabricantes - como a Honda e a Toyota - já indicaram que ponderam transferir mais produção para solo norte-americano.
A Honda produz cerca de 200 mil automóveis por ano no México, sendo que 80% seguem para exportação para os EUA. Já a Toyota fabrica no México a pickup Tacoma, que totalizou cerca de 230 mil unidades vendidas nos EUA no ano passado.
“Nós vamos dar incentivos e se a China e os outros países quiserem vir para cá vender carros, têm de construir as suas fábricas cá e contratar os nossos trabalhadores.”
Donald Trump em declarações à Reuters
Fonte: Reuters
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