É oficial: a Leapmotor International, a nova marca automóvel nascida da empresa conjunta liderada pela Stellantis com a chinesa Leapmotor (51%-49%), passa agora a existir enquanto realidade operacional.
Vale a pena recordar que, em outubro de 2023, a Stellantis comprou 20% da Leapmotor com dois objetivos claros: reforçar a sua presença no mercado chinês e assegurar, em exclusivo, os direitos de exportação, venda e fabrico dos modelos Leapmotor fora da China.
Ontem, numa conferência de imprensa realizada na China - que acompanhámos em linha - foram apresentados os planos de expansão da Leapmotor International, com a participação de Carlos Tavares, diretor executivo da Stellantis, e de Zhu Jiangming, fundador, presidente e diretor executivo da Leapmotor.
“A criação da Leapmotor International representa um grande avanço para ajudar a resolver a questão urgente do aquecimento global com elétricos de última geração, que vão competir com as marcas chinesas presentes nos principais mercados de todo o mundo.”
Carlos Tavares, CEO da Stellantis
Portugal entre os primeiros
A expansão global agora anunciada arranca na Europa já no próximo mês de setembro, mas deverá estender-se rapidamente a outras regiões ainda no último trimestre do ano: Índia, Ásia-Pacífico (excluindo a China), Médio Oriente, África e América do Sul.
No detalhe do plano europeu, a Leapmotor International começa por entrar, em setembro, em nove países - e Portugal está entre os primeiros. Os restantes mercados desta primeira vaga são Espanha, França, Itália, Alemanha, Roménia, Bélgica, Grécia e Países Baixos (onde a nova empresa terá sede, em Amesterdão).
A estreia da Leapmotor International na Europa vai apoiar-se na extensa rede de distribuição da Stellantis, partindo desde já com 200 pontos de venda. A meta é chegar aos 500 até 2026.
Os primeiros Leapmotor a chegar
Com o tema dos elétricos chineses acessíveis a dominar a atualidade - assunto que já motivou uma investigação por parte da União Europeia - este acordo permite à Stellantis alargar de forma acelerada a oferta de elétricos com preços competitivos (e não propriamente «dados») nos principais mercados mundiais, e não apenas na China.
A estratégia fica especialmente evidente quando olhamos para os dois primeiros modelos previstos para a Europa: o T03 e o C10, dois automóveis com perfis muito distintos.
Se o T03, um citadino, surge com o objetivo de responder à procura por elétricos de baixo custo, o maior C10 aponta a uma fasquia diferente. Zhu Jiangming, o responsável máximo da marca, referiu que, entre os principais rivais do C10, estão o Tesla Model Y e o Volkswagen ID.4 - precisamente os modelos mais vendidos do segmento.
O C10 concentra a tecnologia desenvolvida pela Leapmotor e assenta na arquitetura tecnológica LEAP3.0, recorrendo à solução célula-para-chassis (CTC). As especificações finais da versão europeia do C10 ainda não foram comunicadas, mas a Leapmotor promete uma autonomia de 420 km (WLTP) e uma classificação Euro NCAP de cinco estrelas.
Já o T03 vem complementar, ao lado do Fiat 500, a oferta de citadinos elétricos da Stellantis. Ao contrário do modelo italiano, o citadino chinês tem cinco portas e a Leapmotor afirma que, apesar das dimensões exteriores compactas, o espaço interior está ao nível do segmento imediatamente acima. A autonomia anunciada é de 265 km em ciclo WLTP.
Ofensiva de modelos
O C10 e o T03 são apenas o início. Durante o evento, Zhu Jiangming, diretor executivo da Leapmotor, confirmou a chegada de mais quatro modelos até 2027.
Para 2025 está previsto mais um SUV. Em 2026, o plano aponta para o lançamento de dois compactos de dois volumes (hatchbacks). Por fim, em 2027, será introduzido mais um SUV.
Como se observa no gráfico referido acima, os próximos lançamentos vão ocupar o espaço entre o T03 e o C10, posicionando-se, portanto, no segmento B (utilitários) e no segmento C (pequenos familiares).
A Leapmotor não se limita a modelos 100% elétricos a bateria. Atualmente, comercializa também versões de alguns automóveis com extensor de autonomia a combustão - uma aposta que pretende manter. Resta perceber se essa alternativa chegará, ou não, à Europa.
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