Mais de doze meses depois de ter sido mostrado pela primeira vez ainda como protótipo, o Alpine A290 foi, finalmente, revelado na sua forma definitiva.
Trata-se do primeiro de três modelos 100% elétricos que a Alpine pretende colocar na estrada até 2026, numa investida que a marca francesa designa por «Garagem de Sonho». Parte da base do Renault 5 já conhecido, mas assume-se como um utilitário desportivo dos tempos atuais, com intenção claramente desportiva e vários detalhes herdados do mundo da competição.
A comercialização em Portugal está apontada apenas para o final do ano, mas o Diogo Teixeira já o foi ver a Paris, em França. Veja o vídeo:
A Alpine tinha prometido…
Quando apresentou o protótipo A290_β, a Alpine garantiu que o desenho exterior do modelo de produção seria 85% idêntico. Agora, com as linhas finais à vista, percebe-se que a marca cumpriu o que tinha anunciado.
E este é, desde logo, um dos grandes argumentos deste pequeno desportivo elétrico, que se afasta sem rodeios do automóvel que lhe dá origem, o Renault 5: beneficia de vias mais largas (mais 5 cm de largura), recebe para-choques de aspeto mais musculado, passa a contar com jantes maiores (19” de série) e recorre às mesmas pinças de travão dianteiras Brembo que existem no Alpine A110.
A isto somam-se dois projetores auxiliares, de formato quadrado e com um «X», numa alusão direta às fitas usadas nos faróis dos carros de rali de outros tempos.
A carroçaria pode ser escolhida em quatro cores (azul, branco, cinzento mate e preto), incluindo o novo tom Alpine Vision Blue da unidade do vídeo em destaque. No conjunto, o A290 evidencia-se também por integrar diversos apontamentos em preto: dos difusores de ar às saias laterais, passando pelo tejadilho, pelo spoiler traseiro, pelas cavas das rodas e pelas próprias jantes.
Interior foi o que mais mudou
Se por fora a passagem do protótipo para o modelo final foi fiel, no interior a transformação foi bem mais profunda. Ainda assim, era expectável: o A290_β tinha um habitáculo conceptual, pensado para experimentar soluções e técnicas novas.
A proposta começava logo na disposição do interior, com três lugares ao estilo de um McLaren F1: o condutor ao centro e um lugar de cada lado, ligeiramente mais atrás. E, para completar a ousadia, nem sequer existia bagageira.
Naturalmente, nada disso transitou para o modelo de produção, que adota uma configuração muito mais convencional: espaço para cinco ocupantes e uma bagageira com até 326 litros, permitindo ao A290 cumprir aquilo que se espera de um utilitário do segmento B.
Ainda assim, como o Diogo Teixeira sublinha neste vídeo de primeiro contacto (estático) com o Alpine A290, não contem com grande folga nos lugares traseiros. Este elétrico mede 3990 mm de comprimento e esse número sente-se, sobretudo, na segunda fila.
Inspirado no A110
Apesar das mudanças, há algo que se mantém evidente: o lugar mais especial no A290 é o do condutor. Este é um elétrico pensado para quem aprecia conduzir - uma ideia que os engenheiros da Alpine fizeram questão de assegurar desde o início.
Por essa razão, o volante (de três raios) destaca-se como uma das peças mais marcantes do interior: inclui botões em alumínio inspirados no monolugar de Fórmula 1 da Alpine, um comando rotativo para ajustar o nível de regeneração na travagem e um botão vermelho com a sigla OV (de Ultrapassagem), que durante alguns segundos disponibiliza a potência máxima.
Vale ainda referir os comandos da caixa na consola central, entre os bancos dianteiros, muito semelhantes aos do Alpine A110 - que, até aqui, era o único modelo da marca francesa à venda.
Com um ecrã multimédia de 10,1” e grafismos próprios, o A290 também se diferencia por manter botões físicos dedicados para a climatização e por oferecer bancos desportivos com bom apoio lateral, indispensáveis para quem quiser tirar partido do potencial deste utilitário elétrico desportivo.
Dois níveis de potência
E passando à componente mecânica, o novo Alpine A290 - assente na plataforma AmpR Small - surge sempre com um único motor elétrico, mas em dois patamares: 180 cv (130 kW) e 285 Nm (nas versões GT e GT Premium) ou 220 cv (160 kW) e 300 Nm (nas versões GT Performance e GTS).
Em qualquer configuração, a bateria não muda: é um conjunto com 52 kWh de capacidade, anunciado com uma autonomia até 380 quilómetros (valor ainda não homologado) em ciclo combinado.
Ainda assim, a versão escolhida influencia a resposta do acelerador e, consequentemente, o desempenho: com 180 cv, o A290 cumpre 0 aos 100 km/h em 7,4s e atinge 160 km/h de velocidade máxima; já a variante mais potente aponta para 6,4s e 170 km/h, respetivamente.
São valores relevantes para o segmento onde se posiciona e ganham ainda mais peso quando se olha para a massa do conjunto: 1479 kg na versão mais leve.
Esta combinação, a par do baixo centro de gravidade, das vias alargadas e da suspensão traseira multibraços, sugere uma proposta especialmente divertida.
Ainda assim, há pormenores que podem ser determinantes tanto em estrada como em pista, como os pneus desenvolvidos em parceria com a Michelin e o sistema Tecnologia Alpine Toque para a gestão do binário.
Quanto custa?
O Alpine A290 ainda não tem preços finais definidos para Portugal, mas sabe-se que chega no final do ano, com um valor indicativo a partir de 38 000 euros.
Também falta confirmar como ficará organizada a gama no nosso mercado, embora a Alpine o tenha apresentado com quatro versões, como referido acima: A290 GT, A290 GT Premium, A290 GT Performance e A290 GTS.
A estas juntar-se-á, no período de lançamento, a série limitada “Edição de Estreia”, que será proposta em três variantes exclusivas: Beta, inspirada no protótipo A290_β, A Cinzenta e A Azul.
O A290 GTS Edição de Estreia ficará limitado a apenas 1955 exemplares, numa referência ao ano em que a Alpine foi fundada por Jean Rédélé.
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