O novo Sealion 7 é a aposta da BYD para enfrentar o Model Y, agora com uma aparência mais atlética. Não é isento de falhas, mas tem trunfos difíceis de ignorar.
O mais recente capítulo da ofensiva europeia da BYD dá pelo nome de BYD Sealion 7 e assume-se como a resposta da fabricante chinesa ao Tesla Model Y, o automóvel elétrico mais vendido na Europa.
Com 4,83 m de comprimento, este SUV 100% elétrico encaixa no segmento D - um território onde a marca já tinha presença com o Seal U. Ainda assim, o Sealion 7 chega com argumentos diferentes: uma imagem mais cuidada e sofisticada, uma plataforma dedicada e, no topo da gama, uns expressivos 530 cv.
Resta saber se isto é suficiente para o BYD Sealion 7 ganhar destaque num dos segmentos mais disputados do mercado. Fomos até à Alemanha para o conduzir em primeira mão e tirar as primeiras conclusões. Vejam o vídeo:
Interior tem um problema
Ao vivo, o primeiro impacto vem das dimensões: este SUV é 3 cm mais comprido e 16 cm mais alto do que o Seal (berlina). Recorre também à plataforma 3.0 da marca e à conhecida Blade Battery (química LFP), totalmente integrada na própria estrutura do automóvel.
Essa integração coloca a bateria muito baixa, o que deu margem aos designers da BYD para desenharem uma linha de tejadilho relativamente baixa - com inspiração coupé - sem sacrificar a habitabilidade.
E basta sentarmo-nos atrás para perceber que há espaço para transportar três adultos com conforto (não há qualquer túnel de transmissão ao centro). Em alternativa, é igualmente fácil acomodar duas cadeirinhas de crianças.
Na bagageira, os números também jogam a favor: o Sealion 7 oferece 520 litros de capacidade, que podem chegar aos 1789 litros com os bancos traseiros rebatidos. Além disso, existe ainda um compartimento frontal sob o capô com 58 litros.
O desenho do interior segue o minimalismo já visto no Seal. O tabliê e a consola central destacam-se pela quase total ausência de comandos físicos, já que praticamente tudo é operado através do ecrã central de 15,6”.
A qualidade de construção está num bom nível, os materiais são agradáveis e os bancos revelam-se muito confortáveis. Ainda assim, a posição de condução merece reparos e é, para mim, um dos pontos menos conseguidos: o banco do condutor não desce o suficiente e o volante deveria permitir uma colocação mais vertical.
Pode parecer um detalhe, mas esta limitação impede que a experiência ao volante deste novo SUV totalmente elétrico seja ainda mais convincente.
Há muito por onde escolher
O BYD Sealion 7 pode ser encomendado com duas configurações: uma com um único motor elétrico montado no eixo traseiro e outra com dois motores elétricos, um por eixo.
Na opção de um só motor, a potência é de 230 kW (313 cv) e o binário de 380 Nm. Chega para cumprir 0-100 km/h em 6,7s e atingir 215 km/h de velocidade máxima. Aqui, a bateria disponível é apenas a de 82,5 kWh, com autonomia (ciclo WLTP) até 482 km.
Já a versão com dois motores anuncia 390 kW (530 cv) e 690 Nm - valores que permitem acelerar até aos 100 km/h em 4,5s e manter a velocidade máxima nos 215 km/h. No tema da autonomia, tudo depende da bateria: 456 km com 82,5 kWh e 502 km com 91,3 kWh.
Neste ponto, pelo menos no papel, o Sealion 7 fica atrás do Tesla Model Y. Ainda assim, será necessário esperar por um ensaio mais aprofundado em estradas nacionais para tirar conclusões mais sólidas sobre consumos e autonomias reais.
Nos carregamentos, a potência em corrente contínua (DC) vai até 230 kW na versão com a bateria de maior capacidade e até 150 kW nas restantes. Em corrente alternada (AC), o carregamento fica sempre limitado a 11 kW.
Melhor do que o Seal U
Na Alemanha, conduzimos a versão mais potente da gama: 530 cv e a bateria de maior capacidade. Mesmo que a aceleração não tenha o efeito “catapulta” de alguns elétricos, é mais do que suficiente para nos colar ao banco - e, sobretudo, para inspirar confiança em qualquer manobra de ultrapassagem.
Em autoestrada e em estrada aberta, o desempenho não desilude, apesar de o conjunto ultrapassar os 2400 kg. E, na verdade, isto é coerente: estamos a falar de níveis de potência que, ainda há pouco tempo, associávamos sobretudo a superdesportivos.
Quanto ao comportamento, tudo é simples e intuitivo, e nota-se o esforço da BYD em afinar o carro para o gosto europeu. Sente-se claramente: o Sealion 7 tem “toque” de carro europeu.
Quando a estrada começa a exigir em curva, a carroçaria mantém-se bem controlada - muito mais do que no Seal U, que se revela menos apurado. E o mais interessante é que este controlo não foi obtido com uma suspensão excessivamente dura.
Para perceberem com mais detalhe como é conduzir o novo SUV elétrico da BYD, o melhor é mesmo verem o vídeo:
Quanto custa?
Já em fase de encomenda no nosso país, o BYD Sealion 7 começa nos 47 990 euros, na versão de entrada. Já a versão de topo, a mesma que aparece no vídeo, tem preço inicial de 56 490 euros.
Consultem a lista de preços completa:
Olhando para o Sealion 7 com tração traseira, o Tesla Model Y equivalente fica cerca de três mil euros abaixo. Por outro lado, a versão mais potente e com maior autonomia do Sealion 7 é aproximadamente 4500 euros mais cara do que o Model Y Long Range com tração integral, que anuncia 533 km de autonomia.
Face ao XPeng G6 - outro adversário direto - o Sealion 7 perde ligeiramente na comparação com a versão de tração traseira e 258 cv do G6, mas ganha uma vantagem de aproximadamente 3500 euros quando colocamos frente a frente as versões mais potentes de ambos.
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