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Precisa de sair de estrada, mas não quer um SUV? “Não há problema”, diz a Mercedes-Benz

Carro Mercedes-Benz E All-Terrain cinza metálico estacionado numa sala de exposição moderna.

Precisa de sair de estrada, mas não quer um SUV? “Não há problema”, diz a Mercedes-Benz.


A «febre» dos SUV parece longe de abrandar - basta espreitar os números de vendas na Europa e em Portugal. Ainda assim, há quem continue a não «morrer de amores» por este tipo de carroçaria. E, quando digo «morrer de amores», até estou a ser simpático.

Para esse público, felizmente, não faltam alternativas para sair do alcatrão e meter as rodas na terra: as pick-ups e os jipes a sério são os exemplos óbvios. Ainda assim, o meu «tipo» preferido são as carrinhas de «calças arregaçadas».

Sou assumidamente fã de carrinhas (quem já ouviu o Auto Rádio sabe bem disso) e gosto ainda mais destas versões mais altas e com proteções em plástico. A explicação é simples: sem exageros, conseguem fazer fora de estrada quase tudo o que a maioria dos SUV faz, mas, em contrapartida, costumam levar vantagem no espaço e na versatilidade.

Não devo ser o único a pensar assim e, por isso, a Mercedes-Benz acaba de apresentar uma nova geração da Classe E All-Terrain, que tive a oportunidade de conduzir rapidamente nos arredores de Évora.

Fórmula «anti-SUV»

Comparada com a carrinha Classe E «normal», a All-Terrain - lançada pela primeira vez em 2017 - traz de série a suspensão pneumática AIRMATIC de câmara simples, que permite aumentar a distância ao solo até mais 46 mm.

A juntar a isso, inclui igualmente de série a tração integral 4MATIC e um modo “Off-road” dedicado, pensado para otimizar a condução fora de estrada.

E, claro, também se distingue no visual: a «responsabilidade» é de uma grelha frontal específica, com duas lamelas cromadas, e de para-choques próprios, além de uma proteção inferior em plástico (preto) que se estende às cavas das rodas e às embaladeiras.

O resultado é uma carrinha com ar mais robusto e sem receio de ganhar pó. Aqui fica a prova:

Por dentro, para lá de menus próprios para utilização fora de estrada e de funções como o «capô transparente» - que ajuda a perceber o que se passa por baixo do eixo dianteiro (muito útil em trilhos mais exigentes) -, quase nada a separa da Classe E que já conhecemos e apresentámos em vídeo:

Nem a bagageira muda face à Classe E Station. Com os bancos traseiros levantados, oferece 615 litros, ou 460 litros nas versões híbridas plug-in. Com os bancos posteriores rebatidos, passa para 1830 litros e para 1675 litros, respetivamente.

Para o dia a dia de uma família, chega e sobra. E, se forem como eu e gostarem de andar sempre com a bicicleta «às costas», também não será um entrave.

Vai onde os SUV vão

Com uma altura ao solo a rondar os 17,8 cm na posição mais alta, a Classe E All-Terrain fica relativamente próxima, por exemplo, de um Mercedes-Benz GLC, que anuncia até 20,4 cm quando equipado com suspensão pneumática.

Por isso, arrisco dizer que esta carrinha chega, na prática, aos mesmos sítios onde chega um SUV típico. Neste contacto rápido em Évora, fiz um estradão de terra com sulcos bastante visíveis e ainda a travessia de um pequeno ribeiro - e a Classe E All-Terrain superou tudo sem sobressaltos.

Curiosamente, o «carro zero» do evento era um Mercedes-Benz GLC Coupé e, graças a esses centímetros extra de distância ao solo, conseguia fazer o mesmo percurso a velocidades ligeiramente superiores.

É verdade que, nesta carrinha, convém estar mais atento para evitar um toque mais brusco com a parte inferior. Ainda assim, com alguma prudência, chega-se aos mesmos locais.

Suspensão pneumática é chave

A suspensão pneumática adaptativa não serve apenas para elevar a carroçaria: é também a razão principal para o nível de conforto, seja em que cenário for.

Como consegue ajustar de forma independente a suspensão em cada roda, transforma a condução fora de estrada numa experiência muito mais descansada. Mesmo quando o piso está em pior estado, nota-se que a suspensão está a filtrar muitos saltos e solavancos.

Já em estrada, nos poucos quilómetros que conduzi, o conforto de rolamento foi claramente elevado e muito próximo do que encontramos numa Classe E Station com a mesma solução.

A única crítica que faço - e que se aplica tanto à Classe E Station como à All-Terrain - tem a ver com a calibração do pedal do travão: na minha opinião, podia ter um tato mais orgânico e intuitivo.

Sendo um acerto claramente focado no conforto, esta suspensão encaixa na perfeição na vocação de estradista do modelo, independentemente do tipo de percurso.

Em autoestrada, por exemplo, a 120 km/h ou mais, com o modo COMFORT selecionado, a suspensão baixa automaticamente 15 mm para favorecer a estabilidade, melhorar a aerodinâmica e ajudar nos consumos.

Duas motorizações à escolha

Nesta fase inicial, a Mercedes-Benz Classe E All-Terrain pode ser comprada com apenas duas opções mecânicas, ambas assentes no mesmo motor Diesel.

Estamos a falar de um quatro cilindros de 2,0 l. Na E 220 d 4MATIC, debita 197 cv e 440 Nm, e trabalha com um sistema mild-hybrid de 48 V que acrescenta - temporariamente - 17 kW (23 cv) de potência extra.

Já a E 300 de 4MATIC, que foi precisamente a versão que conduzi, junta esse Diesel a um motor elétrico de 95 kW (129 cv) e a uma bateria com 19,5 kWh de capacidade útil, passando a ser uma híbrida plug-in.

No total, ficam disponíveis 313 cv de potência combinada e 700 Nm de binário máximo, entregues a uma caixa automática de nove velocidades. No pequeno percurso de maus caminhos que fiz, revelou-se muito capaz.

Com aceleração dos 0 aos 100 km/h em 6,7s e velocidade máxima de 223 km/h, impressiona sobretudo pela facilidade com que entrega força - e os 700 Nm de binário máximo ajudam muito nesse aspeto.

Este primeiro contacto foi curto demais para tirar conclusões sólidas sobre consumos e autonomias, mas a marca alemã assegura que dá para fazer até 97 km em modo 100% elétrico.

Ainda assim, também conduzi a Classe E Station com esta mecânica em autoestrada (apenas com duas rodas motrizes), a velocidades perto dos 120 km/h e com o ar condicionado sempre ligado, e obtive uma média de 6 l/100 km.

É a primeira vez que a carrinha Classe E All-Terrain recebe uma motorização híbrida plug-in. E, sinceramente, fica-lhe muito bem - porque acrescenta ainda mais versatilidade a uma proposta que já era bastante polivalente.

Dito isto, conserva o lado estradista típico das restantes carroçarias do Classe E e, ao mesmo tempo, oferece capacidade off-road suficiente para sair do asfalto com confiança, desde que se respeitem os limites. Apesar de medir quase cinco metros (4,95 m), é bastante fácil de conduzir, algo que também ajuda em contexto urbano.

Quanto custa?

Em Portugal, a nova Mercedes-Benz Classe E All-Terrain começa nos 77 300 euros na E 220 d 4MATIC e nos 84 900 euros na E 300 de 4MATIC.

Olhando para a rival mais direta, a Audi A6 Allroad, percebe-se que os valores estão alinhados com a proposta da marca dos quatro anéis.

Ainda assim, como acontece em muitos modelos da Mercedes-Benz, o preço pode subir rapidamente com opcionais: o MBUX Superscreen, por exemplo, custa 1850 euros; o sistema de som surround 4D da Burmester soma mais 1450 euros.

Para mim, porém, a comparação mais lógica é com os SUV. Um Mercedes-Benz GLC com uma motorização equivalente (220 d 4MATIC) começa nos 77 050 euros - menos 250 euros -, enquanto o GLE de entrada (300 d 4MATIC) arranca nos 100 550 euros (mais 23 250 euros).

Isto faz-me acreditar que a Mercedes-Benz Classe E All-Terrain está bem posicionada em preço, até porque, neste momento, parece ser a melhor proposta do segmento: a Audi A6 Allroad já acusa a idade e a Volvo V90 Cross Country foi descontinuada.

A melhor alternativa aos SUV?

Apesar de toda a popularidade, os SUV nunca foram consensuais e continuam a ter muitos opositores.

Se também é o seu caso e procura uma alternativa com aptidão para sair de estrada, esta Mercedes-Benz Classe E All-Terrain parece-me estar entre as opções mais fortes do mercado. Sem qualquer sombra de dúvida.

Mantém o refinamento e o conforto esperados neste segmento, prolonga a qualidade de rolamento das restantes versões do Classe E e tem argumentos para sair do alcatrão e sujar os pneus, desde que haja noção dos seus limites.

Tudo isto num conjunto muito elegante, sólido na construção e com materiais de qualidade. Sem esquecer a vertente tecnológica, que está ao nível do melhor que a Mercedes-Benz tem atualmente no catálogo.

Veredito


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