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Volvo XC60 T6 Black Edition: porque continua a dar trabalho à concorrência

Carro Volvo XC60 preto estacionado em espaço interior moderno com chão reluzente.

O Volvo XC60 continua a dar (muito) que fazer à concorrência. Explico porquê já a seguir.


Seis anos depois da chegada da 2.ª geração, o Volvo XC60 mantém-se a vender como poucos. A fórmula parece não perder força: as entregas continuam em alta. Na verdade, estão mais fortes do que nunca.

Em 2023, o modelo superou o seu próprio máximo anual e terminou como o segundo automóvel mais vendido da marca, com mais de 110 mil unidades entregues em todo o mundo.

Este nível de desempenho não é o habitual. O mais comum seria o interesse ir diminuindo com o passar do tempo. Afinal, onde está o truque desta longevidade? Continua competitivo perante os rivais? A resposta a estas - e a outras - perguntas está nas próximas linhas.

Com o preto nunca me comprometo

“Com o preto nunca me comprometo”. A frase ficou associada a Beatriz Costa - uma das atrizes portuguesas mais conhecidas, famosa pelo estilo inconfundível e pela personalidade forte - quando falava do preto como opção segura e sofisticada.

Este Volvo XC60 Black Edition parece seguir a mesma lógica: faz dos detalhes em preto a sua assinatura. Grelha, jantes, emblemas e até a designação do modelo. Tudo em preto.

Acho que este vídeo capta bem o espírito desta versão:

Daqui a pouco entro na condução e na tecnologia, mas há algo que salta logo à vista: um dos grandes trunfos do XC60 é a estética, que mesmo ao fim de seis anos continua atual e quase indiferente à passagem do tempo.

Nessa aposta, a Volvo saiu claramente a ganhar. E é também uma boa notícia para quem já tem um Volvo na garagem. Percebem onde quero chegar…

O peso dos anos e da qualidade

A qualidade de construção e a escolha de materiais no interior do Volvo XC60 continuam ao nível do melhor que se encontra no segmento.

No resto do habitáculo, os comandos estão onde esperamos que estejam, mas já se notam alguns sinais de idade - sobretudo no sistema de infoentretenimento.

É certo que este sistema recebeu atualizações e inclui Apple CarPlay e Android Auto sem fios, mas o ecrã é pequeno e a definição fica uma geração atrás do que a concorrência já oferece.

Quanto aos bancos - em especial os dianteiros - são um verdadeiro elogio à ergonomia e ao conforto. Para mim, estão no topo do segmento. Além disso, têm um leque de ajustes muito amplo, o que facilita a vida a condutores de qualquer estatura.

Atrás, quem tem filhos pode ficar descansado: há espaço e conforto suficientes para eles adormecerem pouco depois de arrancar. Já falei de pão, já falei de sestas… nota-se muito que sou alentejano?

Potência e autonomia

Para quem vai ao volante, há muitos motivos para não pregar olho - mais precisamente 350. É esta a potência combinada do conjunto híbrido recarregável deste Volvo XC60 T6 Black Edition.

O sistema resulta da união entre um motor 2.0 Turbo a gasolina e um motor elétrico instalado no eixo traseiro. Existe ainda um pequeno motor elétrico na dianteira, mas com função sobretudo de apoio ao motor de combustão.

A velocidade máxima está limitada a 180 km/h (na prática dá um pouco mais… descobri sem querer) e a forma como lá chega é suficiente para deixar muitos desportivos para trás no retrovisor.

Admito: de vez em quando é difícil resistir a carregar a fundo no acelerador. Se, ainda assim, 350 cv não chegarem, existe a variante T8 com 455 cv. Fica mais cara 4200 euros. Vale a diferença? Em termos racionais, não… racionalmente.

Então e os consumos?

De acordo com a Volvo, usando bem a energia das baterias do sistema híbrido recarregável (com 19 kWh de capacidade), podem contar com 81 km de autonomia 100% elétrica. É o valor indicado pela marca em ciclo WLTP combinado. No mundo real, apontem mais para 60 km, sem grandes concessões no peso do vosso pé direito.

É um número bem interessante e pode até melhorar se fizerem a maioria dos percursos em cidade - é aí que estes sistemas tiram maior partido. Se não carregarem as baterias, então preparem-se para consumos na ordem dos 9,3 litros por cada 100 km.

Feitas as contas, na semana em que estive com este XC60 acabei o ensaio com uma média de 4,3 litros. Fiz mais de 350 km, dos quais metade foram feitos sem incomodar o motor de combustão.

Se tivesse sido mais disciplinado e excluindo uma ida e volta entre Lisboa e Vendas Novas, podia ter feito todas as deslocações sem gastar combustível. Se assim fosse, a média teria descido para uns mais apelativos 2,2 l/100 km.

Senhor da estrada

Levem este Volvo XC60 para uma estrada nacional e aproveitem. É consistente, previsível e preciso. Em autoestrada repete a receita: segue quase impassível e com excelente isolamento acústico.

O prazer de condução deste modelo está precisamente nisso - na viagem. Na forma “descomplicada” como soma quilómetros. Mas se procuram um companheiro para atacar uma estrada de montanha, então estão a procurar no segmento errado.

O Volvo XC60 foi pensado para grandes deslocações ou, em alternativa, graças à componente elétrica do sistema híbrido recarregável, para um dia a dia urbano em que as visitas à bomba vão ser pouco frequentes. Basta carregar em casa ou no escritório. É aqui que mora a poupança.

Vamos falar do preço

Um Volvo XC60 Black Edition exatamente como este custa 76 462 euros. No entanto, está ativa uma campanha dirigida a empresas que coloca o XC60 nos 49 715 euros + IVA. É, sem dúvida, um valor mais fácil de aceitar.

Com ou sem campanhas, trata-se de um preço que acompanha o equipamento, a potência e - porque não… - a exclusividade visual desta versão Black Edition.

E, passados seis anos desde o lançamento, continua a ser um modelo atual em termos de imagem e tecnologia. Onde se nota mais o passar do tempo é mesmo no sistema de infoentretenimento. Ainda assim, para quem não faz questão de muitos dispositivos e novidades, dá para viver bem com isso.

É um Volvo do princípio ao fim, um concentrado do que a marca representa. O próximo terá uma tarefa complicada pela frente.

Veredito

Especificações técnicas

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