A trajetória positiva da Dacia manteve-se, algo que ficou claro na apresentação dos resultados do primeiro semestre de 2024, realizada ontem. Nos primeiros seis meses do ano, a marca contabilizou 358 497 vendas, o que representa uma subida de 3,8% face ao período homólogo de 2023.
Na Europa, este desempenho já permitiu à Dacia atingir uma quota de mercado de 8,3%, exatamente o mesmo valor com que terminou o ano de 2023. Ainda assim, em 2024, o Dacia Spring deixou de estar entre os modelos com maior impacto.
Dacia Spring e a travagem na procura por 100% elétricos
Apesar de continuar a ser o automóvel 100% elétrico mais barato do mercado, o Spring registou um recuo expressivo: no primeiro semestre foram vendidas cerca de 12 mil unidades, menos de metade das 27 438 unidades entregues no mesmo período de 2023.
Para Xavier Martinet, vice-presidente da Dacia, esta quebra acompanha a diminuição da procura por veículos 100% elétricos.
Acresce ainda o enquadramento dentro do Grupo Renault. Por integrar este grupo, o Spring não está no topo das prioridades atuais na estratégia de eletrificação, que tem destacado modelos como os Renault Megane ou Scenic.
Mesmo assim, é possível defender que o Spring teve um papel decisivo ao abrir caminho para os 100% elétricos de preço mais acessível, pressionando outras marcas a seguirem a mesma via. Sobre esse impacto, Martinet sublinhou que isso “é um dos melhores elogios que podemos receber”.
Produção na China, União Europeia e impacto nas tarifas
Como é fabricado na China, “o Dacia Spring poderá sofrer com as recentes tarifas de importação impostas pela União Europeia”, embora, para já, não estejam em cima da mesa aumentos de preço.
A marca também analisou a hipótese de retirar a produção do Spring da China, mas, para lá da complexidade do processo, “o custo é bastante elevado, mais ainda no caso de um modelo que se encontra a meio do seu ciclo de vida”.
Os melhores da turma
O melhor desempenho dentro da gama, no primeiro semestre, pertenceu ao Sandero, ao Jogger e ao Duster. Com mais de 165 mil unidades vendidas, o Sandero passou a ser o modelo mais vendido da Dacia e da Europa, depois de aumentar 18,5% nas vendas globais.
A segunda posição foi ocupada pelo Dacia Duster, com um total de 114 mil unidades comercializadas nos primeiros seis meses de 2024. Embora a nova geração do SUV esteja apenas agora a arrancar nas entregas, o Duster conseguiu ainda assim crescer 1,7% no primeiro semestre. Com a chegada efetiva da nova geração, a marca antecipa um potencial de evolução bem superior na segunda metade do ano.
Já o Dacia Jogger - o único no catálogo a oferecer uma variante híbrida e configuração de sete lugares - somou 51 mil unidades, um valor praticamente idêntico ao de 2023, traduzindo-se num aumento de 0,7%.
Do volume total do Jogger no semestre, mais de 25% das encomendas dizem respeito à versão híbrida.
Objetivo de vendas para este ano
Confrontado com uma meta de vendas até ao final do ano, Xavier Martinet foi direto: “Não temos um valor definido. 680 mil? Mais 3%, 4%? Tudo indica que devemos ficar próximo das 700 mil unidades. No entanto, nada está definido. Se o foco estiver num determinado valor, o risco de começar a fazer coisas estúpidas para o conseguir é elevado.“
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