China reafirma oposição à independência de Taiwan
Pequim voltou a sublinhar, esta quarta-feira, que a sua oposição à independência de Taiwan é "tão firme como uma rocha" e que a capacidade de "esmagar" qualquer iniciativa secessionista permanece "inabalável", segundo uma porta-voz do Governo chinês.
Em conferência de imprensa, Zhang Han, porta-voz do Gabinete para os Assuntos de Taiwan no Conselho de Estado (Executivo chinês), insistiu que "Taiwan nunca foi um país, não o foi no passado e, de forma alguma, o será no futuro. As mentiras de William Lai [presidente de Taiwan] continuarão a ser mentiras, mesmo que as repita mil vezes, e nunca se tornarão verdade". As declarações foram prestadas antes da chegada do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Pequim.
Zhang Han critica William Lai e o discurso sobre democracia
A responsável chinesa reagia a uma intervenção recente de William Lai Ching-te na Cimeira da Democracia de Copenhaga, na qual o presidente taiwanês afirmou que a democracia é o "bem mais precioso" de Taiwan e que o povo da ilha "sabe muito bem que a democracia se conquista, não se concede".
Nessa mesma ocasião, William Lai acrescentou ainda, numa mensagem em vídeo: "O povo taiwanês nunca recuou perante os crescentes desafios externos e nunca se submeterá à pressão. Taiwan é uma nação soberana e independente (...). Nenhuma tentativa de isolar Taiwan alterará a nossa determinação em participar na comunidade internacional".
Segundo Zhang Han, as autoridades de Taiwan recorrem com frequência à democracia como "pretexto para se gabarem e enganarem a comunidade internacional", procurando "atrair forças antichinesas de certos países" e "incitar ao confronto" entre as duas margens do estreito.
Para a porta-voz, "Tudo isto constitui uma verdadeira farsa política que há muito já foi claramente percebida pelo mundo e que apenas irá merecer o desprezo de todos os filhos e filhas da nação chinesa".
Zhang sustentou também que "A atuação desajeitada de William Lai não consegue esconder os seus atos desprezíveis de repressão contra os opositores políticos e de restrição da liberdade de expressão dentro da ilha, nem a sua natureza ditatorial. A 'democracia' é falsa; buscar a 'independência' é o que é verdadeiro".
Cimeira Trump–Xi em Pequim e o papel dos Estados Unidos
As declarações de Pequim surgem na véspera da cimeira entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim, encontro no qual se prevê que a situação da ilha autónoma seja tratada, entre outros assuntos da agenda bilateral.
Há mais de sete décadas que os Estados Unidos desempenham um papel central nas tensões entre Pequim e Taipé: Washington está legalmente vinculado a fornecer a Taiwan meios para a sua autodefesa e, apesar de não reconhecer diplomaticamente a ilha, poderá defendê-la em caso de conflito com a China.
Além do tema da venda de armas, Xi poderá igualmente usar a reunião com Trump para tentar influenciar a posição oficial norte-americana sobre Taiwan, quer incentivando uma declaração explícita contra a independência taiwanesa, quer procurando uma formulação mais alinhada com a visão chinesa sobre a chamada 'reunificação'.
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