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ASPP/PSP contesta 'equívoco matemático' do Governo no reforço de 400 agentes anunciado por Luís Montenegro

Polícia de uniforme debruçado, em reunião, com mapa de Portugal e anotações em quadro branco atrás.

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou esta terça-feira que o Governo vai reforçar os comandos metropolitanos da PSP de Lisboa e do Porto, colocando 200 novos agentes em cada uma destas estruturas, num total de 400.

ASPP/PSP reage ao anúncio do Governo sobre o reforço de 400 agentes

Também esta terça-feira, a Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP/PSP) veio a público contestar o que classificou como um "equívoco matemático do Governo sobre reforço de efetivos", rejeitando a forma como o executivo apresenta este reforço.

Num comunicado, a ASPP/PSP declarou o seu "total desacordo" com os recentes anúncios do primeiro-ministro, por entender que "tais declarações configuram uma narrativa de conveniência e um 'equívoco matemático' que ignora a realidade das esquadras, servindo apenas para contornar a dificuldade do Governo em regenerar o efetivo".

Projeções para 2026 e contas do sindicato

"É com acentuada preocupação que a ASPP/PSP aponta a total inconsistência das projeções do executivo para 2026. Torna-se inviável projetar 200 polícias para as polícias municipais de Lisboa e Porto, anúncio também já feito, 300 para aeroportos, também já assumido, e 400 para os comandos metropolitanos, quando o próprio Governo admite a passagem à aposentação de 900 profissionais no mesmo período", sustenta a associação sindical.

A ASPP/PSP acrescenta que, "com um curso a terminar [a 28 de maio] com apenas 570 alunos e um novo concurso com apenas 683 apurados - número que ainda sofrerá reduções -, o que o Governo anuncia não representa um reforço, mas uma gestão de escassez", avisando que "o resultado será um saldo negativo e um esvaziamento operacional sem precedentes".

"Não aceitamos que, perante a desvalorização da carreira e a baixa adesão aos concursos, o Governo privilegie a exposição mediática em detrimento de soluções sólidas", acusa ainda.

A estrutura sindical diz não se reconhecer "em estratégias de imagem" e pede "o fim das manobras evasivas e o início de negociações responsáveis que valorizem os profissionais e resolvam, finalmente, os problemas estruturais da instituição".

Encontro com autarcas e medidas anunciadas para Lisboa e Porto

Luís Montenegro falou após uma reunião que classificou como "extremamente produtiva" com os presidentes das câmaras municipais de Lisboa e do Porto, Carlos Moedas e Pedro Duarte, respetivamente. No final, referiu que a segurança "tem sido um assunto dominante" nas conversas mantidas com os dois autarcas.

O chefe do Governo detalhou que decorrem dois processos de formação de agentes da PSP - "um terminará no final do primeiro semestre e o outro no final do ano" - e que, depois, será feita a distribuição dos 400 agentes anunciados, para dar continuidade a "esta política de assumir a segurança como um pilar fundamental do bem-estar, da qualidade de vida e também da atratividade e do esforço de desenvolvimento económico dos dois territórios".

Segundo o primeiro-ministro, está igualmente previsto intensificar as ações de patrulhamento do Corpo de Intervenção (CI) da PSP nas duas cidades, em especial nas zonas de "maior implicação" do ponto de vista criminal.

Montenegro adiantou ainda que está em preparação uma "reorganização dos serviços prestados" nas esquadras da PSP do Porto, de Lisboa e de Setúbal, com o objetivo de libertar cerca de 500 agentes para "funções de patrulhamento".

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