Feiras Qualifica e Futurália e a corrida aos melhores alunos
As feiras Qualifica e Futurália, que decorreram no passado mês de março, consolidam-se como os principais eventos nacionais dedicados à educação, à formação e à empregabilidade, juntando um número cada vez maior de escolas profissionais e de instituições de ensino superior. Este crescimento espelha uma concorrência mais intensa na atração dos alunos mais bem preparados para uma via de ensino que, em Portugal, ainda não ganhou posicionamento suficiente para atingir as metas definidas no quadro da União Europeia até 2030.
Capital humano e prioridades da União Europeia até 2030
Neste contexto, a Recomendação do Conselho da União Europeia de 9 de março de 2026 sobre o capital humano destaca a necessidade de reforçar sistemas educativos capazes de desenvolver competências pertinentes para a economia, melhorar a orientação vocacional e promover percursos de formação diversificados e de elevada qualidade.
Ensino profissional, prestígio internacional e o modelo dual
À luz destas prioridades, o ensino profissional tem uma função estratégica: preparar jovens qualificados, aproximar a escola do mercado de trabalho e valorizar competências técnicas decisivas para a competitividade económica e social dos estados-membros. Em países como a Alemanha, a Áustria e a Suíça, esta via é amplamente reconhecida e associada a prestígio; em Portugal, porém, continua muitas vezes a ser vista como uma opção de "segunda linha".
Uma das razões apontadas para esse reconhecimento internacional é o modelo dual, adotado nesses países, que combina formação teórica e prática e envolve diretamente as empresas, garantindo aprendizagem em contexto real de trabalho. Como consequência, as taxas de empregabilidade tendem a ser elevadas e, em vários setores, os profissionais técnico-profissionais conseguem salários de entrada superiores aos dos licenciados.
Breve evolução do ensino técnico-profissional em Portugal
O ensino técnico-profissional está entre os modelos de formação mais antigos do Mundo. Em Portugal, as suas origens remontam ao século XVIII, com o Marquês de Pombal e a Aula do Comércio. Já no século XIX, Passos Manuel deu novo impulso a esta vertente e, em 1852, foi criada a primeira escola industrial no Porto. Depois de diferentes reformas e períodos de interrupção, o ensino técnico regressou em 1983 e, em 1989, foram fundadas as primeiras escolas profissionais.
Como afirmar o ensino profissional na Área Metropolitana do Porto
Atualmente, o ensino profissional qualifica para a inserção no mercado de trabalho e também permite prosseguir estudos no ensino superior. Ainda assim, mantém-se a ideia de que se trata de um "plano B", o que condiciona a sua valorização.
Na Área Metropolitana do Porto, onde se encontra a maior concentração de escolas profissionais do país, torna-se particularmente importante afirmar esta via como uma alternativa de qualidade, reforçando a articulação formativa, a ligação efetiva ao mercado, a oferta de estágios de qualidade e uma mudança cultural.
Valorizar o ensino profissional é fortalecer o mérito, estimular a inovação e assegurar, para o futuro, uma mão de obra qualificada.
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