O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, enfrenta pressão dentro do próprio partido para abandonar o cargo. Ainda assim, os mecanismos para acelerar a sua saída são poucos e, além disso, nem todos os nomes apontados como alternativas defendem uma solução imediata.
Formas de Keir Starmer sair do cargo
Há vários caminhos para Starmer deixar a liderança do Governo, uns mais simples do que outros. A via mais direta seria anunciar, por iniciativa própria, que se demite - decisão que, por si só, acionaria o processo de eleição interna para escolher o próximo líder do Partido Trabalhista.
Caso optasse por sair de imediato, o partido poderia selecionar um líder interino para ocupar temporariamente o lugar de primeiro-ministro, até ser conhecido o vencedor da eleição interna.
Como funcionam as eleições de liderança do Partido Trabalhista
De acordo com as regras do Partido Trabalhista, qualquer candidatura à liderança tem de reunir o apoio de 81 deputados, o que corresponde a um quinto dos 403 parlamentares trabalhistas na Câmara dos Comuns.
Se a eleição avançar, os candidatos que atinjam esse patamar precisam ainda de obter apoio adicional: ou o respaldo de 5% das concelhias trabalhistas, ou o apoio de pelo menos três entidades afiliadas ao partido, como sindicatos.
Os membros elegíveis do partido e as entidades afiliadas votam então num sistema em que os candidatos são ordenados por preferência. É eleito o primeiro a ultrapassar os 50% dos votos.
Concluído o processo, o rei Carlos III convidaria o vencedor a assumir as funções de primeiro-ministro e a formar um novo governo, sem que isso implique convocar novas eleições legislativas.
Se Starmer não se demitir: como pode ser desafiado
Se Starmer recusar sair, poderá ser contestado por um ou mais deputados trabalhistas. Nesse cenário, os desafiantes teriam de cumprir os mesmos requisitos de elegibilidade, e o próprio líder também poderia voltar a concorrer.
Potenciais sucessores e obstáculos no Partido Trabalhista
Entre os nomes mais associados a ambições de liderança surgem o ministro da Saúde, Wes Streeting, e a ex-vice-primeira-ministra Angela Rayner, que continua sob investigação fiscal depois de ter reconhecido que, no ano passado, não pagou impostos suficientes na compra de uma casa.
Andy Burnham, o popular presidente da Câmara de Manchester, é visto como um dos candidatos mais fortes. Porém, neste momento, não pode concorrer por não ser deputado e, por isso, não estar no Parlamento.
No início deste ano, dirigentes do Partido Trabalhista impediram-no de se candidatar a uma eleição parlamentar parcial em Gorton e Denton.
Para Burnham regressar à Câmara dos Comuns, seria necessária a renúncia de um deputado trabalhista num círculo eleitoral seguro, o que levaria à realização de uma eleição parcial.
Ainda assim, trata-se de um percurso que pode arrastar-se por vários meses e que, inevitavelmente, depende de o candidato conseguir vencer esse escrutínio.
Diferenças face ao Partido Conservador
Ao contrário do Partido Conservador - que já afastou líderes como Margaret Thatcher em 1990 e Boris Johnson em 2022 - o Partido Trabalhista não tem tradição de destituir os seus líderes a meio do mandato.
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