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Doença periodontal em Portugal: sinais, riscos e prevenção

Mulher sorrindo segura fio dentário junto a pia com copo e planta em banho iluminado pela luz natural.

A maioria de quem se senta na cadeira do consultório nem suspeita que possa ter alguma forma de doença periodontal. Nota que as gengivas sangram ligeiramente quando escova os dentes, percebe mau hálito e repara que os dentes parecem “aumentar” (porque a gengiva recua). Ainda assim, raramente liga estes sinais a uma doença - e é precisamente aí que começa o problema.

Gengivite e periodontite: um problema muito frequente

A gengivite pode atingir até 9 em cada 10 adultos. Já a periodontite, a manifestação mais grave da doença, afeta mais de metade da população adulta, e cerca de 15% apresenta formas severas. Estes valores deviam estar no centro da conversa sobre saúde pública em Portugal, sobretudo quando o tema é prevenção.

Periodontite: a destruição silenciosa dos tecidos de suporte

A periodontite é uma inflamação crónica que, de forma discreta, vai destruindo ao longo de anos os tecidos que sustentam os dentes. Muitas vezes não dói, não dá sinais evidentes e não cria uma sensação de urgência. Quando a pessoa finalmente procura ajuda, a perda de suporte pode já ser irreversível. É este caráter silencioso que a torna tão perigosa e que nos obriga, enquanto profissionais de saúde, a insistir mais na mensagem dirigida à população.

Impacto da doença periodontal na saúde geral e prevenção

As consequências não se limitam à boca. A evidência científica relaciona a periodontite com um risco acrescido de enfarte agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral.

Durante a gravidez, as alterações hormonais tornam as gengivas mais suscetíveis à inflamação, e a doença periodontal tem sido associada a parto pré-termo e baixo peso ao nascer. Na diabetes, a ligação é bidirecional: a doença periodontal dificulta o controlo do açúcar no sangue e, por sua vez, a diabetes promove formas mais graves de periodontite.

O estilo de vida tem um peso determinante. O tabaco aumenta o risco de doença e pode ainda atrasar a identificação do problema, porque “esconde” sinais inflamatórios. Uma alimentação inadequada, o sedentarismo e a obesidade também entram na equação, refletindo o mesmo processo inflamatório que está associado a doenças cardiovasculares e metabólicas.

A boa notícia é que a doença periodontal pode ser prevenida e tratada. A prevenção começa por levar a sério os sinais de alerta e por procurar uma avaliação médico-dentária sem esperar que a situação se agrave. Gengivas a sangrar, mau hálito persistente, recessão gengival ou dentes móveis não são inevitáveis com a idade. São sinais que o organismo dá e que exigem resposta imediata. Quando o diagnóstico é feito cedo, o prognóstico muda. E um tratamento adequado tem benefícios comprovados não só na saúde oral, como também na saúde geral e na qualidade de vida.

Uma boca saudável é essencial para a saúde do nosso corpo.

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