Potencial do cluster nacional da saúde
O cluster nacional da saúde encerra, hoje, um potencial de crescimento muito significativo que, se for bem explorado e devidamente potenciado, pode traduzir-se em ganhos claros. Por um lado, permitirá melhorar o acesso a cuidados de saúde mais qualificados e prestados com maior oportunidade; por outro, poderá elevar o desempenho económico de um setor que se tem vindo a tornar cada vez mais vasto e transversal. Estas duas vertentes reforçam-se entre si, num ciclo virtuoso.
Três pilares que sustentam esse potencial
A base deste potencial assenta, sobretudo, em três fatores. Em primeiro lugar, a qualidade dos recursos humanos formados anualmente nas nossas universidades, reconhecida tanto no país como internacionalmente. Em segundo, a ciência produzida em Portugal, em particular em várias instituições de referência, com resultados que se comparam favoravelmente à escala global. Em terceiro, o comportamento globalmente positivo do sistema e do Serviço Nacional de Saúde, que, apesar de turbulência e das contingências associadas à sua elevada exposição e mediatização, tem conseguido dar uma resposta equilibrada às necessidades das populações.
Duas opções para transformar a saúde em motor económico
É precisamente na capacidade de converter este potencial num verdadeiro motor da economia que importa ponderar as escolhas que temos pela frente. Uma via passa por prosseguir, ainda que com espaço considerável para evoluir, o modelo atual, sustentado essencialmente pela força do nosso tecido empresarial. A alternativa, mais ambiciosa, implica criar condições para captar investimento direto estrangeiro (IDE) estruturante.
O que o exemplo Autoeuropa ensina
Não tendo dúvidas sobre qual destas opções faz mais sentido - mesmo reconhecendo a dimensão das dificuldades e dos desafios em presença -, o projeto Autoeuropa surge como exemplo útil. O seu valor reside na clarividência estratégica que o enquadrou e, sobretudo, na determinação e na concertação de vontades e de empenho que exigiu ao mais alto nível da decisão política. Foi essa combinação que permitiu a sua concretização e, a partir daí, a afirmação de uma fileira industrial com impacto elevado na nossa economia.
Ingredientes existentes na saúde e o papel do SNS e dos reguladores
No domínio da saúde, à partida, os ingredientes parecem estar reunidos, e o “caminho das pedras” - com múltiplas especificidades - está identificado e é conhecido. Desde logo, destaca-se o caráter estratégico do papel do SNS enquanto grande comprador, bem como a influência dos reguladores na forma como o país é percecionado pelos grandes investidores. O que poderá estar a faltar é visão, determinação e coragem para avançar.
Inação, oportunidade perdida e sustentabilidade do sistema
No final do dia, a inação que hoje se verifica bloqueia uma oportunidade de grande dimensão e, talvez mais grave, vai desgastando os alicerces da sustentabilidade do nosso sistema nacional de saúde.
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