Saltar para o conteúdo

32.° Congresso do CDS-PP: Nuno Melo e Nuno Correia da Silva dividem-se sobre o PSD

Dois homens em discurso num evento do CDS-PP com bandeiras de Portugal e outras ao fundo, perante uma audiência.

O 32.° Congresso do CDS-PP, a decorrer em Alcobaça, no distrito de Leiria, está a ficar menos marcado pela disputa de nomes e mais por duas leituras opostas sobre como os centristas se devem posicionar face ao PSD: se devem assumir-se como aliados naturais ou como adversários - mesmo quando integram a mesma solução governativa.

De um lado, o presidente e recandidato, Nuno Melo, insiste que o partido não receia ir a votos sem coligação. Do outro, o seu opositor interno, o antigo deputado Nuno Correia da Silva, sustenta que é preciso mais do que "partilhar votos".

32.° Congresso do CDS-PP: o dilema centrista perante o PSD

Na apresentação da moção de estratégia "Tempo de futuro", este sábado, Nuno Melo sublinhou o papel histórico do CDS no reposicionamento do poder político. "Foi por causa do CDS que o poder político passou dos socialismos para o espaço político de centro-direita", afirmou. E reforçou: "Não foi por favor e nós não somos muleta".

A questão da eventual perda de identidade do CDS na AD - coligação com a qual concorreu a eleições com o PSD - tem sido um dos temas mais discutidos neste congresso, que termina hoje com a escolha da liderança.

Nuno Melo rejeita a ideia de diluição e admite ir sozinho a eleições

Já sobre as críticas relacionadas com a alegada diluição do partido, Nuno Melo respondeu de forma direta: "Essa conversa da diluição não é só falsa. Eu, sinceramente, considero-a profundamente injusta para quem todos os dias dá tudo de si para afirmar o CDS num contexto que é difícil".

O líder democrata-cristão acrescentou ainda que o CDS-PP não teme avançar sozinho para eleições. "Não será pela minha mão que o poder em Portugal vai ser entregue de novo aos socialistas ou, pela primeira vez, aos populistas", declarou no congresso.

Ativo na coligação com a AD

À chegada ao Pavilhão Multiusos de Alcobaça, Nuno Correia da Silva defendeu que o CDS-PP "pode ser muito mais" e que "tem de recuperar bandeiras", apontando, entre outras, a defesa dos pensionistas e da família. Para o candidato, a participação na coligação deve ser feita com intervenção efetiva: "Temos que estar na coligação, ativamente, com projetos políticos, com o ídolo reformista".

Ainda assim, considerou que, quando chegar o momento das legislativas, os centristas terão de avaliar "o que for melhor para o país": concorrer de novo em coligação ou avançar por conta própria.

As dúvidas sobre a autonomia do CDS não se ficam por esta candidatura. O presidente da mesa do congresso, José Manuel Rodrigues, lembrou que o partido tem "o seu espaço próprio" e, por isso, deve vincar as diferenças em relação ao PSD. O líder do CDS/Madeira defendeu também que é necessário "substituir o conformismo pela ambição" e seguir "um caminho próprio, independentemente de quem segue ao [seu] lado".

Uma perspetiva semelhante foi assumida pela líder da Juventude Popular. "Somos parte do Governo e bem, (...) estamos aqui para discutir e decidir o futuro no nosso partido", disse Catarina Marinho.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário