Protesto do movimento Vida Justa junto ao Estabelecimento Prisional de Lisboa (EPL)
Este sábado, um grupo juntou-se em frente ao Estabelecimento Prisional de Lisboa (EPL) numa ação de solidariedade com os reclusos, denunciando as condições "insalubres e animalescas" no interior da cadeia, com refeições consideradas fracas e relatos de infestação de pragas. A iniciativa foi convocada pelo movimento Vida Justa, que defende o encerramento do estabelecimento.
Pouco depois das 11 horas, junto às muralhas do EPL, começaram a aparecer as primeiras faixas. Numa delas lia-se: "Abaixo o muro de todas as prisões". Noutra: "A nossa paixão pela liberdade é mais forte do que as vossas grades". Ouviam-se ainda palavras de ordem dirigidas ao sistema prisional, como "Contra todas as prisões" e "Do bairro à prisão nem mais um caixão".
Problemas estruturais e memória de Danijoy Pontes e Daniel Rodrigues
A concentração promovida pela Vida Justa teve como objetivo expor problemas estruturais e condições de vida descritas como degradantes para quem está preso no EPL, além de apelar a que sejam tomadas medidas. Durante a ação, foram também lembrados Danijoy Pontes e Daniel Rodrigues, dois reclusos encontrados mortos no mesmo dia dentro do EPL, em setembro de 2021 (ver texto principal).
Denúncias sobre sobrelotação, pragas e acesso a cuidados médicos no EPL
Na abertura da iniciativa, a organização classificou o EPL como "o pior buraco cavernoso do sistema prisional", apontando para a sobrelotação, a humidade, o bolor e alegadas infestações de "baratas, percevejos, pulgas e ratos". Foram igualmente referidas dificuldades no acesso a cuidados médicos, falhas na medicação e episódios de alegados maus-tratos no interior da prisão.
Testemunhos e apelos ao encerramento (e a obras)
Ao JN, a esposa de um recluso do EPL relatou que o marido se queixa "principalmente ao nível da alimentação", que considera ser "muito má". Disse ainda que a falta de higiene é outro problema sentido por ele e que, no próprio dia da manifestação, terá acordado de madrugada com "percevejos a andarem-lhe pelo braço".
Ívan Coimbra, membro da Vida Justa, sustenta que o EPL falha na resposta às necessidades básicas das pessoas presas, algo que, "independentemente do tipo de crime" cometido, considera inaceitável. Para o ativista, esta é mais uma prisão onde os reclusos são mantidos em condições "insalubres e animalescas". Por isso, defendeu o fecho do estabelecimento, afirmando que "a única solução é derrubar".
Ívan Coimbra
Apesar das críticas, a mesma esposa entende que intervenções estruturais poderiam alterar de forma significativa o quotidiano dentro do EPL. "Poderia haver obras, até mesmo colocarem os reclusos a fazerem as obras. Era uma maneira deles estarem ocupados e de terem melhores condições", disse.
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