Deixando de lado debates e correntes filosóficas, há um mérito que é difícil negar aos motores elétricos: conseguem gerar muita potência sem deixarem de ser leves e compactos.
Porque os motores elétricos mudaram a equação da potência
Nos motores de combustão interna, a história costuma ser a inversa. Para se obter mais potência, muitas vezes é necessário aumentar a cilindrada e o número de cilindros - ou então recorrer à sobrealimentação, seja com um turbo ou com um compressor mecânico.
Por outras palavras, melhorar o rendimento do motor significou, na maioria das situações, crescer em peso e em volume. Foi precisamente essa lógica que os motores elétricos vieram contrariar, contribuindo para que a potência se tornasse, quase por completo, mais acessível nos automóveis.
Os exemplos multiplicam-se: o Kia EV6 GT com 585 cv, o mais compacto MG4 XPower com 435 cv ou o Tesla Model S Plaid com 1020 cv. E, perante esta escalada, a pergunta impõe-se: qual será, afinal, o limite do motor elétrico?
Um motor descomunal com apenas… 40 kg
HPM-400 da Equipmake: potência máxima num formato compacto
Batizado de HPM-400 e desenvolvido pelos britânicos da Equipmake, este motor é uma demonstração clara do que os propulsores elétricos conseguem fazer. Apesar de ter um «corpo» com apenas 40 kg (30 kg do motor + 10 kg do inversor de carboneto de silício), consegue debitar um pico de 400 kW (544 cv) e 250 Nm, além de atingir as 20 000 rpm.
Os valores são marcantes e sustentam a afirmação do fabricante, que o descreve como o motor “com maior densidade de potência em todo o mundo”, segundo o comunicado da empresa com sede em Norfolk, no Reino Unido.
Revelado ao público na conferência «Propulsão do Futuro», em 2023, também no Reino Unido, o HPM-400 nasceu com um propósito pouco comum. De acordo com Ian Foley, diretor executivo da Equipmake, foi inicialmente criado para “ser usado como bomba de combustível de um foguetão”.
A intenção passava por integrar o programa do foguetão Eris, desenvolvido pela australiana Gilmour Space Technologies. Por isso, foi concebido desde o início para lidar com acelerações elevadas e cenários de funcionamento particularmente severos.
Para se perceber o alcance do projeto, o HPM-400 foi pensado para trabalhar “à pressão atmosférica e no vácuo”, o que, na prática, alarga muito o leque de utilizações possíveis. A Equipmake explica que foi desenhado “para aplicações espaciais, aeroespaciais e marítimas de alto rendimento”.
Chegará aos automóveis?
Com este nível de desempenho, é inevitável imaginar uma aplicação desta tecnologia no setor automóvel. E não parece um cenário assim tão distante, até porque a Equipmake já disponibiliza no seu catálogo motores elétricos direcionados para automóveis, autocarros e camiões.
A reforçar essa ligação ao mundo dos carros, o próprio Ian Foley traz um percurso ligado à indústria e à competição: foi diretor de pesquisa e desenvolvimento da Lotus na Fórmula 1 entre 1991 e 1994 e esteve sete anos à frente da Williams Hybrid Power.
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