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UH-60 Black Hawk: candidato ao núcleo de modernidade da Aviação de Exército

Soldado em uniforme militar com certificado na mão junto a helicóptero verde numa pista de aterragem ao pôr do sol.

No quadro dos planos de modernização e de aquisição de novos sistemas de armas, o helicóptero de assalto UH-60 Black Hawk mantém-se como um dos candidatos mais sólidos para inaugurar o núcleo de modernidade da Aviação de Exército. A aposta num modelo norte-americano acompanha, por um lado, o aprofundamento das relações entre a Argentina e os EUA; por outro, responde a uma necessidade premente: dispor de uma plataforma de asas rotativas com capacidades muito superiores às dos meios actualmente em serviço.

Pensando numa implementação faseada, o Exército Argentino poderia transpor para a Aviação de Exército a lógica de “núcleo de modernidade” já aplicada com o TAM 2C-A2, o VCBR M1126 Stryker e o camião 4x4 Unimog U4000. A entrada de um primeiro lote de UH-60 Black Hawk funcionaria como ponto de partida para a actualização, criando condições para um programa plurianual que elevaria os padrões operacionais.

Há menos de seis meses, o então Chefe do Estado-Maior-General do Exército, e actual Ministro da Defesa, Tenente-General Carlos Presti, confirmava à Zona Militar que a instituição analisava possibilidades e testava opções para renovar parcialmente o material da Aviação de Exército, e com isso "…inocular gérmenes de innovación en una estructura mayor como es la Aviación de Ejército, la cual cuenta con decenas de helicópteros Huey y Huey II…El Ejército perdió, ya desde hace más de 40 años, su capacidad que tenía de helicópteros medianos y pesados. Los Chinook quedaron en 1982 en Malvinas y nunca más lo recuperaron…".

Apesar de, oficialmente, não terem surgido novidades sobre progressos concretos para incorporar helicópteros Black Hawk, o Exército Argentino pretende activar, no curto prazo, este núcleo de modernidade em paralelo com o da artilharia.

Núcleo de modernidade da Aviação de Exército e cooperação com os EUA

No que diz respeito à iniciativa em torno do UH-60, Argentina e EUA intensificaram os intercâmbios entre o Exército e a Guarda Nacional, respectivamente, com o objectivo de apoiar a modernização argentina. Essa dinâmica ficou patente na visita de uma delegação do Exército ao 78th Troop Aviation Command da Guarda Nacional da Geórgia, no final de 2025.

Importa recordar que, em Novembro de 2016, a Guarda Nacional da Geórgia foi escolhida como parceira dos EUA para a República Argentina no âmbito do Programa de Associação Estatal (SPP) do Departamento de Defesa. Nessa altura, o Comando Sul dos EUA explicava: "…A través del SPP, la Guardia Nacional lleva a cabo actividades de cooperación militar en apoyo de los objetivos de seguridad y defensa, pero también aprovecha las relaciones y capacidades para facilitar una colaboración interinstitucional más amplia y complementaria que abarque los ámbitos militar, gubernamental, económico y social…".

Porque o UH-60 Black Hawk como futuro helicóptero da Aviação de Exército

Ainda que a selecção do UH-60 Black Hawk como futuro helicóptero de assalto da Aviação de Exército possa ser associada, de forma imediata, ao reforço das relações entre a Argentina e os EUA, a avaliação desta aeronave vai muito além de considerações políticas. Trata-se de uma plataforma de elevado nível, concebida desde origem para requisitos militares, aperfeiçoada ao longo de sucessivas evoluções e sustentada por uma experiência operacional vasta.

O Black Hawk começou por ocupar o lugar de helicóptero de assalto no Exército dos EUA. Contudo, as qualidades do projecto rapidamente permitiram que o aparelho alargasse funções a outras Forças e serviços norte-americanos, replicando, em certa medida, o legado do UH-1 Huey. Com o tempo, surgiram variantes dedicadas a guerra electrónica, busca e salvamento/busca e salvamento em combate, operações especiais, ataque, evacuação médica, entre outras. Além disso, o UH-60 serviu de base a outras versões, como o utilitário embarcado MH-60S e a família SH/MH-60 Seahawk vocacionada para guerra antissubmarina/antissuperfície.

Programas de assistência e oportunidade na frota UH-60L

Ainda assim, não deve ser ignorado que a boa sintonia com Washington e com o US Army também constitui uma oportunidade para concretizar os primeiros passos do núcleo de modernidade da Aviação de Exército, sobretudo tirando partido das facilidades oferecidas por alguns programas norte-americanos de assistência e de transferência de material.

De salientar que a Aviação de Exército dos EUA e a Guarda Nacional atravessam um processo de reestruturação, o que implicará uma redução significativa da frota de helicópteros UH-60L Black Hawk. A retirada de serviço de mais de 200 exemplares desta variante, prevista para 2026, pode criar uma janela de oportunidade para a Argentina, por exemplo através de uma transferência imediata.

Embora o UH-60L não corresponda à versão mais recente do Black Hawk, é, ainda assim, a opção com maior probabilidade de disponibilidade no curto prazo, se for excluído o UH-60A. Caso se considerem aeronaves novas, as alternativas passam pelo UH-60M ou pelo S70i, este último já anteriormente avaliado pela Aviação de Exército.

Decisão no curto prazo

A activação do núcleo de modernidade da Aviação de Exército não se resume a aproveitar uma conjuntura favorável: é uma escolha que terá de ser tomada no curto prazo para dar início a um processo de actualização considerado indispensável. Como se tem verificado nos últimos anos, a disponibilidade dos UH-1H Huey/Huey II tem diminuído, resultado de factores diversos - desde limitações orçamentais persistentes ao envelhecimento das aeronaves -, agravados por um suporte logístico descontinuado pelo fabricante original, o que elevou os custos de aquisição de peças e componentes para estes helicópteros veteranos.

A Aviação de Exército precisa, com urgência, de uma plataforma com capacidades compatíveis com os requisitos operacionais da Força. Além disso, importa ter presente que os helicópteros do Exército Argentino são frequentemente os primeiros a responder no âmbito de operações de protecção civil: cheias, incêndios, evacuações devido a nevões, entre muitas outras situações.

Imagem de capa ilustrativa. Créditos: US Army – Sgt. Scott Tant

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