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FIA aplica reprimenda ao Rali de Portugal e multa de 15 000 euros suspensa até 2027

Homem com colete amarelo fala em rádio comunicador enquanto monitora corrida de carros em ecrãs e mapa na mesa.

A Federação Internacional do Automóvel (FIA) sancionou a organização do Rali de Portugal com uma reprimenda e uma multa de 15 000 euros, ficando esta penalização suspensa até ao final de 2027, na sequência dos incidentes envolvendo veículos de segurança registados na sexta-feira.

Decisão da FIA no Rali de Portugal: enquadramento e fundamento

Num comunicado, o Colégio de Comissários da FIA concluiu que se verificaram "atos inseguros e falha na adoção de medidas razoáveis, resultando assim numa situação insegura (Artigo 12.2.1.h do Código Desportivo Internacional da FIA 2026)".

A situação teve origem na entrada em pista, no sétimo setor seletivo, de um reboque da organização sob responsabilidade do Automóvel Club de Portugal (ACP), quando os pilotos já disputavam o troço Arganil 2. Poucos minutos depois, no mesmo troço, entrou ainda um segundo veículo de segurança igualmente associado à organização.

Como os veículos entraram na SS7 (Arganil 2)

No mesmo documento, é explicado que "o Diretor de Prova explicou que foi apurado que um veículo de assistência/reboque se dirigia para recolher um concorrente que tinha desistido do rali".

A descrição dos factos indica ainda: "O condutor introduziu as coordenadas GPS e o sistema de navegação encaminhou-o pela SS7. O condutor do camião desconhecia que tinha entrado numa especial de classificação que se encontrava a decorrer. Ainda assim, o camião conseguiu ultrapassar várias barreiras que assinalavam a especial".

Segundo os comissários, "como o camião saiu rapidamente para uma estrada secundária e a situação foi controlada, a classificativa não foi interrompida".

Já sobre o segundo episódio, o comunicado detalha: "Aproximadamente 35 minutos depois, um segundo veículo, pertencente à mesma empresa do camião de assistência e alegadamente a caminho para o auxiliar, também ultrapassou as barreiras e entrou na SS7 à frente do carro n.º 21. A especial foi então imediatamente interrompida com bandeira vermelha por razões de segurança".

Falhas de comunicação, responsabilidades e sanções ao ACP

Após os incidentes, o Diretor de Prova e o representante da organização "apresentaram desculpas pelos incidentes ocorridos".

De acordo com o mesmo texto, "Declararam que a Organização tinha estabelecido acordos com a autoridade civil competente para garantir a segurança e o corte de estradas nas classificativas do rali. Confirmaram ainda que a investigação às circunstâncias deste incidente continua em curso".

O Diretor de Prova confirmou também que, "em nenhum momento, a entrada destes veículos na classificativa foi comunicada ao Controlo do Rali".

A FIA deixou um aviso claro sobre os procedimentos a cumprir: "é imperativo que os oficiais responsáveis pela gestão de uma classificativa (quer sejam comissários, quer prestadores de serviços contratados) estejam conscientes de que estão vinculados ao protocolo acordado".

E acrescenta: "Isto implica não apenas impedir o acesso de veículos não autorizados, mas também o dever de comunicar imediatamente ao Controlo do Rali qualquer entrada de veículos na classificativa, sempre que as especiais estejam encerradas e em disputa. Essas comunicações constituem um dos aspetos mais importantes da segurança num rali, uma vez que são a única forma de garantir que os concorrentes possam ser avisados atempadamente de quaisquer perigos imprevistos".

A entidade recorda ainda que "não obstante a organização ter acordos com uma entidade terceira para a gestão do encerramento das estradas das classificativas, continua responsável pelos oficiais que nomeia e o Diretor de Prova mantém a responsabilidade de conduzir o evento de acordo com os regulamentos aplicáveis, devendo assegurar que os oficiais estejam nos seus postos e disponham da informação necessária para desempenhar as suas funções".

No entendimento dos comissários, "Os Comissários Desportivos consideram que a falta de comunicação da entrada dos veículos na classificativa constituiu atos inseguros que conduziram a uma situação insegura, configurando, assim, uma infração ao Artigo 12.2.1.h do Código Desportivo Internacional da FIA 2026".

Com base nestes elementos, a FIA determinou uma reprimenda ao ACP e aplicou uma multa de 15 mil euros, com execução suspensa até 31 de dezembro de 2027.

Foi igualmente decidido exigir "de forma formal à organização que implemente melhorias na edição" deste ano, com o objetivo de evitar novos problemas de segurança.

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