A conferência terminou com uma ideia comum: é necessária uma mudança cultural e os cidadãos não podem ficar de fora.
Carta ética para a IA na Câmara Municipal do Porto
Rodrigo Passos, vereador da Câmara Municipal do Porto, indicou que será apresentada em breve uma carta ética para a utilização da inteligência artificial (IA). Segundo o autarca, a intenção passa por garantir que todos os que trabalham na esfera municipal percebem claramente as orientações definidas: "O objetivo é que cada uma das pessoas da esfera municipal possa compreender as regras do jogo". A declaração foi feita durante o Portugal Smart Cities Summit, que decorreu esta terça-feira, na FIL, em Lisboa.
"Transformação Digital & Dados para a Cidade" e a ambição de Lisboa
No painel de debate dedicado a "Transformação Digital & Dados para a Cidade", Vasco Anjos, vereador da Câmara Municipal de Lisboa, sublinhou que a transformação digital também é uma meta da autarquia. O responsável explicou que o município está a reformular a forma como organiza e governa a informação: "Estamos a alterar a nossa arquitetura de gestão de dados, queremos ter uma cidade mais eficiente e preparar-nos para aproveitar a IA ao máximo".
Mudança cultural, confiança dos cidadãos e prevenção de incêndios com dados
Entre os intervenientes, ficou consensual que a evolução tecnológica exige, em paralelo, uma alteração cultural dentro dos municípios, nas empresas e na sociedade civil. Fernando Reino da Costa, CEO da Unipartner, reforçou essa necessidade, defendendo que "temos de colocar sentido crítico nos jovens".
A confiança dos cidadãos na IA foi outro ponto destacado no debate. André Glória, professor auxiliar na Escola de Tecnologias Digitais Aplicadas do ISCTE Sintra e assistente de Investigação no Instituto de Telecomunicações do ISCTE Branch, considerou essencial assegurar transparência e credibilidade: "Temos de garantir que as pessoas confiam no que estamos a fazer, porque a realidade é que temos imensos produtos a ser desenvolvidos, muitos algoritmos, vários modelos que saem todos os dias, que são atualizados diariamente, e acho que as pessoas não confiam no resultado que sai dali".
Já sobre a aplicação da IA em áreas como a prevenção de incêndios, João Bentes, Head of Institutional Affairs da GEOSAT, salientou o potencial dos dados de satélite num fenómeno recorrente em Portugal: "também no caso dos incêndios, que é bastante comum no país, é possível fazer muito para a prevenção a partir de dados de satélite". Para o responsável, esse trabalho pode incluir "seja, mapear zonas mais secas, utilizando índices de vegetação - mais suscetíveis a arder - seja, identificar mato dito limpo e não foi, devem existir zonas de intervalos de segurança".
Paulo Cavaleiro, deputado e presidente da Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto no Parlamento, apontou ainda que a implementação da IA pode enfrentar menos obstáculos em municípios de menor dimensão. Na sua perspetiva, "Às vezes é mais fácil, a decisão é mais rápida e há menos gente e menos resistência para implementar projetos".
A transformação digital já está em curso e, para Rodrigo Passos, não pode tornar-se um mecanismo de exclusão, sobretudo para a população mais idosa. O vereador frisou que este é um percurso de capacitação que tem de ser feito com todos.
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