O ex-ministro e empresário Alex Saab chegou a um aeroporto de Miami, no sudeste dos Estados Unidos, após ter sido deportado pelo Governo da Venezuela devido a alegados crimes praticados em território norte-americano.
Chegada a Miami sob escolta federal
Segundo a agência de notícias EFE, Saab, de origem colombiana, aterrou no sábado no aeroporto de Opa-locka, no condado de Miami-Dade, acompanhado por agentes federais, incluindo elementos da agência antidroga dos Estados Unidos (DEA).
Justificação oficial e reacções na Venezuela
Horas antes, o Serviço Administrativo de Identificação, Migração e Estrangeiros (SAIME) venezuelano comunicou a deportação, “em conformidade com as disposições da lei de imigração venezuelana”.
“A medida de deportação foi adotada tendo em conta que o referido cidadão colombiano está envolvido em diversos crimes nos Estados Unidos da América, como é do conhecimento público e amplamente divulgado”, indicou o SAIME num comunicado de imprensa divulgado na rede social Instagram.
Entretanto, na rede social X, o dirigente da oposição venezuelana Juan Pablo Guanipa escreveu: “É uma ótima notícia para os venezuelanos que este criminoso enfrentará a justiça”.
Numa mensagem em que publicou uma fotografia de Saab ao lado do presidente do parlamento de Caracas, Jorge Rodríguez, Guanipa saudou a deportação e acusou Saab de se ter enriquecido “à custa da fome dos venezuelanos”.
“Tornou-se milionário vendendo alimentos fora do prazo de validade e ajudando os líderes do regime a contornar as sanções e a saquear a nossa nação”, acrescentou o opositor.
Guanipa afirmou ainda que Saab acabará por responder perante a justiça numa futura “Venezuela democrática”.
Antecedentes do caso Alex Saab
Em março, o jornal “The New York Times” noticiou que a administração Trump estaria a negociar a extradição de Saab, descrito como um aliado importante do antigo presidente venezuelano Nicolás Maduro.
Detido em 2020, em Cabo Verde, Saab viria mais tarde a ser extraditado para os Estados Unidos, regressando depois à Venezuela em 2023, no âmbito de uma troca de prisioneiros durante a anterior administração do democrata Joe Biden.
Em janeiro, procuradores norte-americanos acusaram Saab de corrupção, pouco depois de os Estados Unidos terem capturado Maduro e a mulher, Cilia Flores, que foram transferidos para Nova Iorque para responder a acusações de tráfico de droga.
De acordo com o New York Times, o novo Governo venezuelano, chefiado pela presidente interina Delcy Rodríguez, deteve Saab no início de fevereiro, a pedido de Washington.
O empresário colombiano - apresentado como diplomata pelo Governo de Maduro em 2020 - foi recebido como herói na Venezuela em dezembro de 2023 e, em janeiro de 2024, foi nomeado presidente do Centro Internacional de Investimentos Produtivos.
Na ocasião, Maduro afirmou que, através desse cargo, Saab iria atrair investimento para o país rico em petróleo.
Em outubro de 2024, Saab foi designado ministro da Indústria e Produção Nacional. Acabaria exonerado por Delcy Rodríguez em janeiro passado, duas semanas após o ataque dos Estados Unidos a Caracas e a três regiões próximas, operação que resultou na captura de Maduro.
Saab, de 54 anos, amigo pessoal de Maduro, é há anos acusado nos Estados Unidos de enriquecimento ilícito através de contratos governamentais e de atuar como testa-de-ferro do líder chavista.
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