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Foro Penal relata morte de preso político José Manuel García sob custódia em Anaco, Venezuela

Mesa com fotografia a preto e branco de homem, uma rosa branca, algemas, caneta e documentos.

Morte de José Manuel García sob custódia em Anaco (Foro Penal)

A organização não-governamental (ONG) Foro Penal informou que, no domingo, foi localizado o cadáver de um preso político na esquadra da polícia de Anaco, no nordeste da Venezuela. Tratava-se do ex-vereador José Manuel García, detido desde fevereiro.

"A nossa equipa realizou as investigações necessárias sobre a morte do ex-vereador José Manuel García", disse, no domingo, à agência de notícias France-Presse a coordenadora regional da ONG, que assegura a defesa dos presos políticos.

Segundo a mesma responsável, que pediu anonimato por receio de represálias, "O seu óbito foi confirmado; ocorreu enquanto estava detido nas celas da Polícia Municipal de Anaco, onde estava preso desde fevereiro de 2026 por alegada fraude e extorsão".

A coordenadora acrescentou que "O corpo foi encontrado a 10 de maio de 2026 e, de seguida, encaminhado para o Serviço Nacional de Medicina Legal de Barcelona, município de Simón Bolívar, estado de Anzoátegui, para a determinação oficial da causa da morte, que ainda não foi divulgada oficialmente".

Esta morte faz subir para 20 o total de presos políticos que perderam a vida sob custódia desde 2014.

Caso Víctor Hugo Quero Navas e reconhecimento tardio

A divulgação do caso de Anaco aconteceu três dias depois de as autoridades terem admitido, mais de nove meses após o falecimento, a morte sob custódia de outro preso político: Víctor Hugo Quero Navas, de 51 anos, que estava desaparecido desde que foi detido, em janeiro de 2025.

Também no domingo, a Igreja Católica da Venezuela exigiu que sejam apuradas as responsabilidades criminais pela morte do preso político e opositor Víctor Hugo Quero Navas em 2025, reconhecida esta semana pelo Governo de Caracas.

Num comunicado publicado no domingo, Dia da Mãe, a Conferência Episcopal Venezuelana (CEV) disse sentir "profunda consternação e tristeza" perante a morte de Quero Navas, que só foi reconhecida após meses de diligências e buscas feitas pela mãe, Carmen Navas.

Versão do Ministério e apelos da oposição

Na sexta-feira, as autoridades venezuelanas procederam à exumação do corpo de Quero Navas, depois de o Governo ter reconhecido, na quinta-feira, a sua morte, ocorrida há dez meses.

O Ministério do Serviço Penitenciário venezuelano indicou que Quero se encontrava detido na prisão El Rodeo I, perto de Caracas, desde 3 de janeiro de 2025, e foi transferido para um hospital a 15 de julho, após apresentar "hemorragia digestiva superior e síndrome febril aguda".

De acordo com o texto oficial, morreu quase dez dias depois devido a "insuficiência respiratória aguda secundária a tromboembolismo pulmonar".

O ministério assegurou ainda que, durante o período de detenção, Quero "não forneceu dados sobre laços familiares e nenhum familiar se apresentou para solicitar uma visita formal".

Na sexta-feira, a líder da oposição venezuelana e Prémio Nobel da Paz María Corina Machado exigiu a libertação de todos os presos políticos no país "antes que morram mais".

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