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Fenprof e FNE alertam para proposta do Governo na mobilidade de professores

Mulher aponta para mapa de Portugal com conexões coloridas, segurando documentos, enquanto colegas discutem ao fundo.

Num contexto que se tornou quase permanente - com mais docentes a Norte a terem de aceitar deslocações para ocupar horários em aberto a Sul - responsáveis da Fenprof e da FNE admitem que uma proposta de alteração ao regime de mobilidade poderá tornar mais difícil a aproximação à residência para quem está a leccionar longe de casa.

Proposta do Governo e revisão do Estatuto da Carreira Docente

A proposta foi colocada em cima da mesa esta segunda-feira, durante reuniões entre a equipa do ministério e os sindicatos, no quadro da revisão do Estatuto da Carreira Docente. Francisco Gonçalves, um dos secretários-gerais da Fenprof, assegura que a medida deverá gerar contestação por parte de alguns professores.

Prioridades na mobilidade interna, QZP e aproximação à residência

No modelo actual, concorrem à mobilidade interna, em primeira prioridade, os docentes de quadro com menos de oito horas lectivas; em segunda prioridade surgem os professores que pretendem mudar de quadro para se aproximarem da sua área de residência.

O problema, segundo Francisco Gonçalves, é que a intenção do Governo passa por fazer com que, na primeira prioridade, os docentes não mudem de zona - sendo que o país se encontra dividido em 63 quadros de zona pedagógica (QZP). Na leitura do dirigente, a alteração pode facilitar movimentos dentro da mesma região, mas dificultar a aproximação de quem está colocado noutra zona. A Fenprof defende que exista apenas uma prioridade e que a ordenação dos candidatos seja feita pela graduação profissional.

FNE: risco de esgotamento de vagas e proposta com inteligência artificial

Também a FNE admite um possível efeito penalizador para a aproximação à residência: "À partida, as vagas esgotam-se na primeira prioridade, podendo reduzir a possibilidade de aproximação à residência por esta via", reconhece o seu líder, Pedro Barreiros.

O assunto deverá voltar a ser discutido na próxima reunião, onde as organizações pretendem apresentar contrapropostas. A FNE, que sustenta que a graduação profissional deve ser sempre o critério de seriação dos docentes, entregou ontem ao ministro uma proposta de colocação desenhada por inteligência artificial. "Num auditório com 63 filas (equiparadas aos QZP), assinalam-se os lugares por preencher, ocupados pela graduação", explica.

Fim da Vinculação Dinâmica e comparação com a Norma Travão

Francisco Gonçalves acrescenta que outra novidade apresentada esta segunda-feira é o fim da Vinculação Dinâmica (VD), mecanismo que tem permitido integrar mais professores nos quadros do que a Norma Travão (NT). Apesar de ambos abrirem vagas para docentes com mais de três anos de serviço, na NT os professores são obrigados a concorrer para todo o país. "Pode ser mais uma forma de procurar resolver o desiquilíbrio de mais professores a Norte e mais vagas a Sul", critica o dirigente da Fenprof.

Pela parte da FNE, a extinção da VD não surge como surpresa, uma vez que, com as alterações em discussão, "quase deixa de fazer sentido", considera Pedro Barreiros.

Concurso anual centralizado e procedimento contínuo

Recorde-se que a proposta do Governo aponta para a criação de um concurso anual e centralizado no Ministério da Educação (Procedimento Concursal Interno e Externo), bem como para um procedimento contínuo que permita, a partir de Setembro, colocar diariamente docentes em horários de substituição.

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