A Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, uma das vias mais importantes de Barcelos, prepara-se para iniciar uma nova etapa. A Câmara Municipal aprovou o projeto de requalificação desta artéria, uma obra estimada em 4,5 milhões de euros que visa tornar o tráfego automóvel mais eficiente, aumentar a segurança e recentrar a avenida no peão.
Projeto de requalificação da Avenida dos Combatentes da Grande Guerra
Da autoria do arquiteto João Barreto de Faria, o plano segue uma linha assumidamente conservadora, procurando salvaguardar referências históricas e identitárias da avenida concebida no início do século XX por José Marques da Silva. Entre os elementos a preservar destacam-se o separador central com tílias centenárias, a balaustrada sobre o Campo da Feira e a leitura de boulevard que caracteriza o traçado.
Mobilidade, circulação e desenho do espaço público
Uma das mudanças mais relevantes passa pela implementação de circulação automóvel em sentido único ao longo da avenida e nas zonas envolventes. Em paralelo, a faixa de rodagem será reduzida para 3,5 metros, opção que, de acordo com a proposta, permite aumentar a largura do separador central para oito metros.
Com esse alargamento, passa a existir espaço para bancos de jardim, percurso ciclável e áreas onde os peões podem permanecer e circular com maior conforto.
O projeto inclui ainda uma nova organização do estacionamento nas laterais, a criação de zonas próprias para cargas e descargas e o reforço das áreas pedonais. Neste ponto, ganha especial relevo o espaço junto à Santa Casa da Misericórdia, que deverá afirmar-se como uma nova entrada nobre do Campo da Feira.
Manter as árvores
No cruzamento com a Avenida D. Nuno Álvares Pereira, a solução prevista mantém o entroncamento simples atualmente existente. Esta escolha evita o abate de árvores de grande porte e assegura, segundo o projeto, um nível de fluidez comparável ao de uma rotunda.
Património, materiais e financiamento
A intervenção contempla também o regresso do Monumento aos Combatentes da Grande Guerra ao local original onde foi implantado em 1936. Está igualmente prevista a plantação de mais árvores e a criação de novas zonas de sombra.
Quanto aos materiais, a proposta indica respeito pelas características iniciais do espaço, com reaproveitamento dos paralelepípedos existentes e passeios em granito. As passadeiras serão elevadas ao nível dos passeios, com o objetivo de facilitar a mobilidade.
Para o presidente da Câmara de Barcelos, Mário Constantino Lopes, trata-se de "uma intervenção estruturante na mobilidade e na valorização urbana da cidade", pensada para devolver à avenida a funcionalidade e a beleza idealizadas na conceção original.
Integrado no Quadro de Investimentos Prioritários do município, o projeto já obteve aprovação para um cofinanciamento de 3,8 milhões de euros ao abrigo do programa Norte 2030, direcionado para reabilitação e regeneração urbana.
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