No momento em que apresentou os resultados financeiros de 2023 do grupo Stellantis, o português Carlos Tavares, que lidera a empresa, reconheceu o «arrefecimento» sentido na procura de carros elétricos. Ainda assim, garantiu que a estratégia definida no programa Dare Forward 2030 não será revista.
“Podemos encontrar alguns obstáculos no caminho, mas vamos manter o «pé a fundo no acelerador» na execução do plano Dare Forward.”
Carlos Tavares, CEO da Stellantis
Estratégia da Stellantis para carros elétricos em 2024
Vale a pena recordar que, há pouco tempo, a Stellantis assinalou o arranque de uma nova ofensiva, ao lançar o primeiro - o Citroën ë-C3 - de um conjunto de sete modelos 100% elétricos, cujo preço acessível será um dos principais trunfos.
“Ao contrário dos seus colegas norte-americanos”, numa alusão à Ford e à General Motors, a Stellantis não antecipa reduzir o ritmo de investimento no desenvolvimento de veículos 100% elétricos. Pelo contrário, até ao final deste ano pretende alargar o portefólio para 48 modelos, quando no fecho de 2023 existiam 30.
A «receita» de Carlos Tavares
Durante a conferência, Carlos Tavares sublinhou também que a «equação» para vender elétricos não se explica apenas por preços acessíveis - embora este seja, ainda assim, um dos elementos que pode acelerar a adoção dos veículos elétricos pelo mercado.
Quatro ingredientes para impulsionar a adoção
O responsável português apontou, sem reservas, os quatro ingredientes que considera indispensáveis para que a adoção de carros 100% elétricos ganhe força:
- Energia Limpa;
- Uma rede de carregamento altamente densa e visível: “ou seja, uma rede de carregamento que venha de encontro às necessidades do cliente, onde não seja necessário procurar por ela”;
- Produto: “o produto precisa de ser bom, e precisa de ser atrativo”;
- Preços Acessíveis.
Segundo o CEO da Stellantis, estas quatro «estrelas» precisam de se alinhar para que a adoção dos elétricos avance ao ritmo que tem sido anunciado e desejado por responsáveis da indústria e decisores políticos.
Apesar de admitir que a procura de elétricos “não é tão forte como alguns previam”, Carlos Tavares preferiu destacar uma leitura mais otimista: “o preço das matérias-primas está a descer, o que significa que o custo total de produção está a descer, «abrindo uma porta» para preços mais baixos, o que trará mais clientes, culminando numa situação inversa à que se regista”.
“Depois de 42 anos no setor automóvel, posso dizer-vos que os 100% elétricos são produtos melhores, se resolvermos as inconveniências da autonomia e de não se encontrar um sítio para carregar o nosso veículo.”
Carlos Tavares, CEO da Stellantis
A “ofensiva chinesa” como estímulo
Carlos Tavares referiu ainda a “ofensiva chinesa” e explicou que, em vez de a encarar como um problema, a vê como um incentivo adicional para procurar o «alinhamento» destes quatro fatores.
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