Aproveitando o CES de Las Vegas como cenário para este anúncio de peso, a Honda comunicou que está pronta para abrir um novo capítulo no caminho para a mobilidade do futuro.
Para dar forma a esta visão renovada, o fabricante japonês apresentou dois protótipos com a designação Honda 0 Series, sublinhando a intenção de recomeçar a partir do 0 (zero).
Com linhas assumidamente futuristas, tanto o Saloon como o Space-Hub espelham duas interpretações da marca para um «amanhã» que, segundo a Honda, já está muito próximo.
Nos planos da Honda, esta nova família de modelos elétricos deverá chegar ao mercado em 2026. A estreia acontecerá primeiro na América do Norte, seguindo-se o Japão e a Ásia, com a Europa logo depois. Numa etapa posterior, a expansão contempla África, o Médio-Oriente e a América do Sul.
Uma nova abordagem
Por trás destes novos conceitos está uma filosofia de desenvolvimento que procura distanciar-se do que tem sido comum noutros elétricos. Em causa estão, por um lado, o aumento excessivo de peso - sobretudo devido a baterias cada vez maiores - e, por outro, a tendência para crescer em dimensões a fim de acomodar todos os componentes necessários.
Não é por acaso que a Honda descreve esta nova forma de encarar os seus futuros elétricos como “Estreita, Leve e Inteligente”.
- Estreita, para tirar partido do potencial do desenho e criar uma plataforma mais baixa, capaz de reduzir a altura total da carroçaria.
- Leve, recuperando uma convicção antiga da marca enquanto construtor automóvel: menos peso significa sempre uma condução mais desportiva - e também maior eficiência energética.
- Inteligente, com base na utilização de um novo tipo de suporte lógico e de novas tecnologias, totalmente orientadas para soluções de mobilidade.
Honda Saloon
O Saloon deverá assumir o papel de «porta-estandarte» desta nova era de automóveis elétricos da Honda. A abordagem “Estreita, Leve e Inteligente” concretiza-se numa carroçaria mais baixa e aerodinâmica, mas também num traço que pretende evidenciar um caráter mais desportivo, apesar da silhueta de monovolume.
No interior, a marca diz ter dado especial atenção à posição de condução, já que a experiência ao volante continua a ser uma das prioridades, mesmo com a inclusão de funções de condução autónoma.
A Honda acrescenta ainda que o habitáculo oferecerá mais espaço do que aquilo que o exterior sugere, complementado por uma interface de utilizador avançada e, de acordo com a própria marca, simples e intuitiva de utilizar.
Honda Space-Hub
O segundo protótipo que a Honda levou ao CES 2024 é o Space-Hub, pensado como uma espécie de «sala móvel», com grande disponibilidade de espaço e flexibilidade para responder a diferentes necessidades.
Assume uma configuração de MPV com alguns traços de SUV, mas, ao contrário do Saloon, o Space-Hub não foi confirmado como modelo destinado à produção.
Para já, não foram divulgadas especificações de nenhum dos dois protótipos. Ainda assim, a Honda destacou em particular a intenção de aliviar dois problemas muito associados aos elétricos atuais: os tempos de carregamento e a degradação da bateria.
Quando a gama 0 Series chegar ao mercado, a marca promete carregamentos de 10-15 minutos para passar dos 15% aos 80% de carga; e aponta para uma degradação da bateria inferior a 10% após 10 anos de utilização.
A Honda refere igualmente a introdução de novas tecnologias, como a direção por comando eletrónico - isto é, uma direção sem ligação física entre o volante e o eixo direcional - tal como se viu recentemente na Tesla Cybertruck.
Novo começo, novo lema e novo logótipo
Para lá dos protótipos, a Honda apresentou também um novo logótipo, com um “H” mais estilizado, que será inaugurado por esta nova família de elétricos prevista para 2026.
A ligação à herança de Soichiro Honda mantém-se clara, mas o aspeto - que não era atualizado desde 1981 - passa agora a encaixar melhor no desenho futurista destes novos modelos.
Além do novo logótipo, também o lema da Honda é ajustado. O “O Poder dos Sonhos” continua, pois a marca insiste que permanecerá sempre movida pelos sonhos.
Contudo, é acrescentado o “Como o transportamos”, com a intenção de reforçar que este recomeço a partir do «zero» tem como missão criar novas experiências de mobilidade para os clientes, de forma apaixonada e criativa, como a Honda afirma.
O roteiro elétrico da Honda aponta para objetivos muito concretos. A ambição é atingir 100% de vendas mundiais de veículos elétricos e movidos por pilha de combustível a hidrogénio até 2040.
Dez anos depois, em 2050, surge a meta final - e uma das mais ambicionadas por vários construtores: alcançar a neutralidade carbónica em todos os produtos e atividades.
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