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500 tartarugas-de-esporas-africanas ajudam a restaurar o Sahel

Tartaruga junto a uma toca no chão seco com vegetação dispersa e uma bandeira laranja ao lado de um caderno.
Neste artigo
  1. Porque falhou a plantação de árvores nesta zona?
  2. Como modificaram as tartarugas-de-esporas-africanas o solo?
  3. O que surgiu cinco anos após a libertação dos animais?
  4. Porque é a espécie considerada uma engenheira do ecossistema?
  5. Podem as tartarugas transformar o Sara numa área verde?

Uma experiência de restauro ambiental divulgada no Sahel, região localizada na margem sul do Sara, terá recorrido a 500 tartarugas-de-esporas-africanas depois de as tentativas de plantar árvores terem falhado perante o solo compacto, o calor e a escassez de água. Cinco anos depois, terão surgido manchas de vegetação junto das zonas escavadas pelos animais.

Porque falhou a plantação de árvores nesta zona?

O terreno degradado tinha uma crosta compactada que dificultava a infiltração da chuva. Sem água nas camadas mais profundas, as sementes e as plantas jovens perdiam rapidamente a humidade, enquanto o vento e as temperaturas elevadas impediam o crescimento das raízes.

A recuperação deparava-se com obstáculos frequentes em territórios afectados pela desertificação:

  • Solo endurecido, com reduzida capacidade de infiltração;
  • Evaporação rápida da água da chuva;
  • Ventos capazes de transportar areia e matéria orgânica;
  • Calor intenso durante o dia;
  • Falta de abrigo para sementes e pequenos animais.

Como modificaram as tartarugas-de-esporas-africanas o solo?

A tartaruga-de-esporas-africana, cientificamente designada Centrochelys sulcata, escava tocas de grande dimensão para se proteger do calor diurno e das temperaturas mais baixas durante a noite. Ao quebrar a camada superficial endurecida, estes animais abrem passagens que permitem à chuva infiltrar-se e permanecer mais tempo no solo.

O que surgiu cinco anos após a libertação dos animais?

De acordo com os relatos sobre o projecto, imagens aéreas e de satélite revelaram pequenas manchas verdes em locais anteriormente dominados por areia exposta. As tartarugas não fizeram plantações directas, mas criaram as condições necessárias para que sementes já existentes no solo ou transportadas pelo vento começassem a germinar.

Entre as alterações observadas contam-se:

  • Maior retenção de humidade em redor das tocas;
  • Germinação de gramíneas e de outras plantas resistentes;
  • Acumulação de matéria orgânica nas áreas escavadas;
  • Regresso de insectos, aves e pequenos vertebrados;
  • Formação de núcleos de vegetação dispersos pelo terreno.

Porque é a espécie considerada uma engenheira do ecossistema?

Uma espécie recebe esta designação quando transforma fisicamente o meio e cria condições que podem ser aproveitadas por outros organismos. As tocas das tartarugas proporcionam sombra, humidade e abrigo, ao mesmo tempo que favorecem a entrada de água e a circulação de ar no solo.

Podem as tartarugas transformar o Sara numa área verde?

O resultado não significa que estes animais consigam converter todo o deserto numa floresta. O restauro depende da chuva, da conservação do solo, do controlo do pastoreio e da protecção das tartarugas. Faltam igualmente informações públicas pormenorizadas sobre o local exacto, o acompanhamento científico e a área total atribuída à experiência com os 500 exemplares.

O caso destaca o papel de uma espécie nativa escavadora na recuperação dos processos ecológicos. Em vez de substituir a vegetação por plantações isoladas, a reintrodução pode permitir que o próprio terreno retenha água, receba sementes e restabeleça, de forma gradual, uma cadeia de vida adaptada às condições do Sahel.

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Marta Filipa Correia

Marta Filipa Correia é engenheira agrónoma e investigadora em sistemas agroflorestais mediterrânicos, com especialização no cultivo e valorização da maquiave. Dedica-se ao estudo da ecologia da planta, boas práticas de colheita e transformação tradicional, bem como ao seu potencial gastronómico e sustentável. É também autora de conteúdos sobre biodiversidade rural e usos etnobotânicos associados à maquiave.

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