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Raul Pinto distribui 1500 litros de água na Costa de Caparica

Grupo de pessoas a recolher água num grande recipiente azul na praia ao pôr do sol.
Neste artigo
  1. Raul Pinto distribuiu água à população da Costa de Caparica
  2. Água do furo para uso doméstico
  3. Protesto no Pragal pela gestão pública da água

Raul Pinto distribuiu água à população da Costa de Caparica

Raul Pinto, pequeno agricultor de 58 anos, retirou 1500 litros de água do furo centenário existente no terreno que trabalha nas Terras da Costa, na Costa de Caparica, em Almada. Durante o alerta vermelho devido às temperaturas extremas, distribuiu essa água pelos moradores.

"Não podia ficar parado, a água que tenho do furo é alcalina, não posso dizer que seja boa para beber, mas serve para o uso doméstico e assim decidi dar a água às pessoas que mais precisam, todas as que moram na Costa de Caparica", contou Raul Pinto ao JN.

Na tarde da passada quinta-feira, primeiro dia de alerta vermelho, Raul decidiu agir perante a ausência de água nas torneiras. Encheu garrafões que lhe foram entregues, colocou-os no atrelado do trator e percorreu a zona para os distribuir pela população.

"Falei com a Junta de Freguesia, que se disponibilizou para me ajudar na distribuição, e decidi ir a quatro pontos estratégicos na Costa de Caparica: na Praça da Liberdade, em Santo António, no Bairro do Campo da Bola e no largo da escola primária centenária".

A entrega de água terminou perto das 17 horas, altura em que o abastecimento nas torneiras foi reposto. Ainda assim, a preocupação manteve-se, uma vez que o calor persistiria e a crise de abastecimento atravessava o seu momento mais crítico.

Água do furo para uso doméstico

Na sexta-feira, a Junta de Freguesia disponibilizou um bidão com capacidade para mil litros, que Raul encheu com água do furo. A autarquia local assumiu igualmente os custos do gasóleo utilizado pelo trator.

"Nesse dia, distribui 1500 litros, entre o bidão que a Junta de Freguesia cedeu e garrafões que a população ia dando para encher com a água. Eu próprio bebo a água, o furo foi sujeito a análises há três anos e a água é alcalina, mas o risco é meu, não digo às pessoas para beberem, podem usar para tomar banho, lavar a casa, a louça, a roupa, tanta coisa", afirma Raul.

Protesto no Pragal pela gestão pública da água

Esta sexta-feira, está marcado para as 19 horas um protesto no Pragal, em Almada. Com o lema "A Água é um Direito", a iniciativa defende a gestão pública da água e decorre numa altura em que o concelho enfrenta uma crise no abastecimento que poderá prolongar-se por várias semanas.

O agricultor, bombeiro voluntário desde 1988, salienta que toda a iniciativa foi realizada em benefício da população. Ao mesmo tempo, aponta à autarquia falta de iniciativa e de visão estratégica para resolver a crise de abastecimento de água.

"Quem mora na Costa de Caparica está habituado à falta de água pontual, com aviso prévio, mas desta forma nunca aconteceu. Hoje vemos água a jorrar de uma nascente na Arriba Fóssil, mas os Serviços Camarários não a aproveitam, nunca houve qualquer visão estratégica nem planeamento para que esta crise fosse evitada".

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Marta Filipa Correia

Marta Filipa Correia é engenheira agrónoma e investigadora em sistemas agroflorestais mediterrânicos, com especialização no cultivo e valorização da maquiave. Dedica-se ao estudo da ecologia da planta, boas práticas de colheita e transformação tradicional, bem como ao seu potencial gastronómico e sustentável. É também autora de conteúdos sobre biodiversidade rural e usos etnobotânicos associados à maquiave.

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