O que começou por ser um projecto de criação de peixes numa quinta no sul do Alabama, nos Estados Unidos, acabou por atrair aves, mamíferos e vários predadores. Ao longo de cerca de 1 000 dias, um antigo terreno agrícola foi convertido num ecossistema em torno de um lago com aproximadamente 2 hectares.
Porque foi construído o lago no centro da quinta?
O criador de conteúdos BamaBass concebeu o reservatório sobretudo para criar peixes e acompanhar o seu crescimento, incluindo o robalo-tigre, uma variedade de robalo-preto. Para concretizar esse objectivo, a antiga área de cultivo foi escavada, equipada com estruturas submersas e dotada de sistemas destinados a controlar a qualidade da água.
- O solo foi escavado e moldado para formar zonas com várias profundidades;
- Foram instalados troncos, pedras e outras estruturas debaixo de água;
- Arejadores contribuíram para manter o oxigénio dissolvido;
- Foram introduzidos peixes mais pequenos como parte da cadeia alimentar;
- Adicionaram-se plantas aquáticas e árvores nas margens;
- A qualidade da água passou a ser monitorizada com regularidade.
Como é que um projecto de criação de peixes atraiu tantos animais?
Numa zona anteriormente marcada pela agricultura, o lago passou a disponibilizar três elementos essenciais: água, alimento e abrigo. Peixes, insectos, anfíbios e vegetação começaram a constituir uma cadeia alimentar capaz de sustentar animais que apenas passavam pela propriedade ou que procuravam um lugar mais protegido onde permanecer.
Durante os 1 000 dias de transformação da quinta, foi registada a presença de veados, patos, corujas, guaxinins e águias-de-cabeça-branca. Enquanto alguns animais se deslocavam ao local para beber, outros encontraram alimento ou espaços apropriados para repousar e caçar.
Que alterações foram registadas em redor do reservatório?
À medida que a vegetação se desenvolveu e os peixes aumentaram em número, a propriedade deixou de ser exclusivamente um espaço de produção. As margens passaram a ter mais cobertura vegetal, as aves aquáticas começaram a usar a massa de água e diversas espécies passaram a relacionar-se no mesmo habitat.
- As águias começaram a procurar peixe no reservatório;
- Os veados passaram a visitar as margens para beber;
- Os patos encontraram condições para nadar, alimentar-se e reproduzir-se;
- As corujas usaram as árvores e as estruturas próximas como locais de observação;
- Guaxinins e outros mamíferos passaram pelo local durante a noite;
- Pequenos animais começaram a ocupar a vegetação junto ao lago.
O lago pode mesmo ser considerado um santuário natural?
A designação reflecte o aumento evidente da fauna selvagem, mas não quer dizer que a propriedade se tenha transformado numa área de conservação oficialmente reconhecida. O lago continua a ser uma estrutura artificial, gerida pelo proprietário, com peixes introduzidos e acompanhada por equipamento e intervenção humana.
No registo da evolução do lago de cerca de 2 hectares, o responsável admitiu que, no início, estava focado nos peixes e não antecipava o impacto nos animais em redor. Assim, este caso enquadra-se melhor como um exemplo de criação involuntária de habitat do que como a recuperação de um ambiente inteiramente natural.
O que ensina a transformação da quinta sobre biodiversidade?
Este episódio evidencia a forma como a existência permanente de água pode alterar uma paisagem agrícola. Quando um reservatório inclui diferentes profundidades, margens com vegetação, zonas de abrigo e alimento disponível, pode favorecer uma rede de organismos muito mais ampla do que a prevista no projecto original.
Isto não quer dizer que todos os lagos artificiais produzam o mesmo efeito. A construção deve ter em conta o solo, a drenagem, as espécies introduzidas e os potenciais efeitos nos ecossistemas próximos. Nesta quinta, a gestão pensada para os peixes acabou por criar condições para que uma comunidade de animais selvagens se estabelecesse junto à água em menos de três anos.






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