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Jardim e Horta

BamaBass: como um lago de 1 000 dias criou um ecossistema numa quinta do Alabama

Homem a pescar perto de um lago com garça e veados em ambiente rural ao entardecer.
Neste artigo
  1. Porque foi construído o lago no centro da quinta?
  2. Como é que um projecto de criação de peixes atraiu tantos animais?
  3. Que alterações foram registadas em redor do reservatório?
  4. O lago pode mesmo ser considerado um santuário natural?
  5. O que ensina a transformação da quinta sobre biodiversidade?

O que começou por ser um projecto de criação de peixes numa quinta no sul do Alabama, nos Estados Unidos, acabou por atrair aves, mamíferos e vários predadores. Ao longo de cerca de 1 000 dias, um antigo terreno agrícola foi convertido num ecossistema em torno de um lago com aproximadamente 2 hectares.

Porque foi construído o lago no centro da quinta?

O criador de conteúdos BamaBass concebeu o reservatório sobretudo para criar peixes e acompanhar o seu crescimento, incluindo o robalo-tigre, uma variedade de robalo-preto. Para concretizar esse objectivo, a antiga área de cultivo foi escavada, equipada com estruturas submersas e dotada de sistemas destinados a controlar a qualidade da água.

  • O solo foi escavado e moldado para formar zonas com várias profundidades;
  • Foram instalados troncos, pedras e outras estruturas debaixo de água;
  • Arejadores contribuíram para manter o oxigénio dissolvido;
  • Foram introduzidos peixes mais pequenos como parte da cadeia alimentar;
  • Adicionaram-se plantas aquáticas e árvores nas margens;
  • A qualidade da água passou a ser monitorizada com regularidade.

Como é que um projecto de criação de peixes atraiu tantos animais?

Numa zona anteriormente marcada pela agricultura, o lago passou a disponibilizar três elementos essenciais: água, alimento e abrigo. Peixes, insectos, anfíbios e vegetação começaram a constituir uma cadeia alimentar capaz de sustentar animais que apenas passavam pela propriedade ou que procuravam um lugar mais protegido onde permanecer.

Durante os 1 000 dias de transformação da quinta, foi registada a presença de veados, patos, corujas, guaxinins e águias-de-cabeça-branca. Enquanto alguns animais se deslocavam ao local para beber, outros encontraram alimento ou espaços apropriados para repousar e caçar.

Que alterações foram registadas em redor do reservatório?

À medida que a vegetação se desenvolveu e os peixes aumentaram em número, a propriedade deixou de ser exclusivamente um espaço de produção. As margens passaram a ter mais cobertura vegetal, as aves aquáticas começaram a usar a massa de água e diversas espécies passaram a relacionar-se no mesmo habitat.

  • As águias começaram a procurar peixe no reservatório;
  • Os veados passaram a visitar as margens para beber;
  • Os patos encontraram condições para nadar, alimentar-se e reproduzir-se;
  • As corujas usaram as árvores e as estruturas próximas como locais de observação;
  • Guaxinins e outros mamíferos passaram pelo local durante a noite;
  • Pequenos animais começaram a ocupar a vegetação junto ao lago.

O lago pode mesmo ser considerado um santuário natural?

A designação reflecte o aumento evidente da fauna selvagem, mas não quer dizer que a propriedade se tenha transformado numa área de conservação oficialmente reconhecida. O lago continua a ser uma estrutura artificial, gerida pelo proprietário, com peixes introduzidos e acompanhada por equipamento e intervenção humana.

No registo da evolução do lago de cerca de 2 hectares, o responsável admitiu que, no início, estava focado nos peixes e não antecipava o impacto nos animais em redor. Assim, este caso enquadra-se melhor como um exemplo de criação involuntária de habitat do que como a recuperação de um ambiente inteiramente natural.

O que ensina a transformação da quinta sobre biodiversidade?

Este episódio evidencia a forma como a existência permanente de água pode alterar uma paisagem agrícola. Quando um reservatório inclui diferentes profundidades, margens com vegetação, zonas de abrigo e alimento disponível, pode favorecer uma rede de organismos muito mais ampla do que a prevista no projecto original.

Isto não quer dizer que todos os lagos artificiais produzam o mesmo efeito. A construção deve ter em conta o solo, a drenagem, as espécies introduzidas e os potenciais efeitos nos ecossistemas próximos. Nesta quinta, a gestão pensada para os peixes acabou por criar condições para que uma comunidade de animais selvagens se estabelecesse junto à água em menos de três anos.

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Marta Filipa Correia

Marta Filipa Correia é engenheira agrónoma e investigadora em sistemas agroflorestais mediterrânicos, com especialização no cultivo e valorização da maquiave. Dedica-se ao estudo da ecologia da planta, boas práticas de colheita e transformação tradicional, bem como ao seu potencial gastronómico e sustentável. É também autora de conteúdos sobre biodiversidade rural e usos etnobotânicos associados à maquiave.

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