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Vacas pintadas como zebras afastam moscas picadoras

Homem pinta vaca branca e preta com pincel azul numa quinta ao ar livre durante o dia.
Neste artigo
  1. Como decorreu a experiência com as vacas?
  2. O que sucedeu às vacas pintadas como zebras?
  3. Porque é que as listras dificultam o pouso das moscas?
  4. O resultado explica porque é que as zebras desenvolveram listras?
  5. Pintar o gado pode substituir os inseticidas?

Cientistas japoneses pintaram vacas pretas com listras semelhantes às das zebras para perceber se este padrão visual conseguia afastar moscas que picam. Os bovinos listrados registaram cerca de metade dos pousos observados em vacas sem pintura, reforçando a hipótese de que a coloração das zebras atua como uma defesa natural contra insetos.

Como decorreu a experiência com as vacas?

O estudo envolveu seis vacas da raça preta japonesa. Cada animal foi sujeito a três condições: listras pretas e brancas, apenas faixas pretas ou ausência de pintura. Este método permitiu determinar se o resultado se devia ao contraste visual ou apenas à tinta aplicada no pelo.

  • As faixas mediam cerca de quatro a cinco centímetros de largura;
  • A pintura foi aplicada manualmente com um produto à base de água;
  • Cada vaca passou pelos três tratamentos;
  • Os investigadores fotografaram o corpo e as patas dos animais;
  • As moscas pousadas foram contabilizadas nas fotografias;
  • Também foram registados os movimentos utilizados para afastar insetos.

O que sucedeu às vacas pintadas como zebras?

As vacas com faixas pretas e brancas receberam quase 50% menos moscas do que os animais sem pintura e do que aqueles pintados apenas com faixas pretas. Como não se verificou uma diferença significativa entre estes dois últimos grupos, os investigadores concluíram que nem o odor nem a mera aplicação de tinta explicavam o efeito.

A experiência com vacas pintadas como zebras revelou igualmente uma redução dos movimentos da cabeça, das orelhas, das patas e da cauda destinados a expulsar insetos. No conjunto, estes comportamentos de defesa diminuíram cerca de 20% nos animais listrados.

Porque é que as listras dificultam o pouso das moscas?

O processo ainda não é inteiramente compreendido. Uma das explicações mais relevantes aponta para o facto de o contraste entre faixas claras e escuras afetar a perceção visual das moscas durante a aproximação, tornando mais difícil controlar a velocidade e aterrar de forma estável no animal.

  • As moscas recorrem ao brilho, ao movimento e ao contraste para encontrar hospedeiros;
  • Faixas estreitas podem modificar a luz refletida pela superfície;
  • O padrão poderá desorientar os sistemas que guiam a aproximação;
  • Os insetos continuam a aproximar-se, mas falham mais vezes ao pousar;
  • Superfícies pretas ou brancas uniformes tendem a receber mais pousos.

O resultado explica porque é que as zebras desenvolveram listras?

A experiência reforça a proteção contra moscas que picam como uma das explicações com maior suporte para a evolução das listras. Estudos anteriores já tinham demonstrado que os insetos pousam menos em superfícies listradas e em cavalos cobertos por tecidos que reproduzem o padrão das zebras.

Ainda assim, uma única investigação com seis vacas não encerra por completo o debate evolutivo. Explicações como a camuflagem, a confusão de predadores e o controlo da temperatura receberam menos apoio em diferentes estudos, mas as listras podem ter mais do que uma consequência para o animal, mesmo que apenas uma tenha sido determinante na sua evolução.

Pintar o gado pode substituir os inseticidas?

Os investigadores consideraram esta técnica uma potencial alternativa para diminuir a exposição do gado às moscas e melhorar o bem-estar dos animais. Menos picadas podem traduzir-se em menos interrupções durante a alimentação e o repouso, bem como num menor dispêndio de energia a abanar a cabeça, a bater as patas e a mover a cauda.

A utilização prática continua, porém, a ter limitações. A tinta empregue na experiência desaparecia ao fim de poucos dias, enquanto a época das moscas pode prolongar-se por vários meses. Serão necessários estudos de maior dimensão para analisar a segurança, o custo e a durabilidade antes de as faixas serem vistas como um repelente visual capaz de substituir os métodos convencionais nas explorações agrícolas.

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Marta Filipa Correia

Marta Filipa Correia é engenheira agrónoma e investigadora em sistemas agroflorestais mediterrânicos, com especialização no cultivo e valorização da maquiave. Dedica-se ao estudo da ecologia da planta, boas práticas de colheita e transformação tradicional, bem como ao seu potencial gastronómico e sustentável. É também autora de conteúdos sobre biodiversidade rural e usos etnobotânicos associados à maquiave.

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