Os solos florestais desempenham um trabalho climático mais importante do que a maioria das pessoas imagina, ao absorverem discretamente metano da atmosfera ano após ano.
Medições recentes de longo prazo no sudoeste da Alemanha revelam que, em certas florestas, este sumidouro subterrâneo de metano se tem reforçado de forma contínua, em vez de perder eficácia.
Investigadores da Universidade de Göttingen acompanharam o movimento do metano em 13 parcelas florestais durante quase 25 anos e verificaram que os solos aumentaram a absorção deste gás em cerca de 3 por cento ao ano.
Este crescimento constante - registado em períodos húmidos e secos, sob condições de aquecimento gradual - contraria a ideia simplista de que as alterações climáticas reduzem uniformemente a capacidade dos solos para funcionarem como sumidouros de metano. O resultado também levanta novas questões sobre os motivos pelos quais algumas florestas melhoram mais depressa do que outras.
Os micróbios das florestas eliminam metano
A redução da precipitação deixou mais espaço ocupado por ar no solo, permitindo que o metano descesse com maior rapidez, em vez de permanecer junto à superfície.
Os solos mais secos continham mais poros preenchidos por ar, facilitando o transporte de metano e oxigénio no interior do solo. Este é um factor essencial, pois os micróbios que consomem metano precisam de oxigénio para funcionar.
Nas parcelas acompanhadas, a equipa associou uma captação de metano mais intensa a menor humidade do solo e ao aumento gradual das temperaturas do solo.
Depois de chegar à camada superficial do solo, os metanotróficos - micróbios que utilizam o metano como combustível - decompunham-no através de reacções que transformavam o gás em dióxido de carbono e água.
Solos ligeiramente mais quentes tendiam a acelerar o metabolismo destes organismos, em linha com o aumento contínuo da absorção de metano observado em muitos locais.
Ainda assim, os investigadores salientaram que condições de secura extrema podem travar a actividade microbiana, enquanto períodos prolongados de solo húmido diminuem os níveis de oxigénio e permitem que os micróbios produtores de metano prevaleçam.
Acompanhamento do metano no solo
Tubos finos recolhiam amostras, de duas em duas semanas, a várias profundidades, criando perfis de gases do solo, ou seja, registos dos níveis de gás ao longo das suas camadas.
Os testes laboratoriais analisaram o metano e outros gases, indicando se as concentrações diminuíam com a profundidade de forma compatível com a absorção.
Para confirmar esses cálculos, os investigadores colocaram também uma câmara selada sobre o chão da floresta e observaram a descida do metano. Esta verificação dupla foi importante, pois pequenos erros acumulam-se e podem criar uma tendência falsa após anos de dados.
Porque o metano é importante para o clima
Um indicador da NASA refere que o metano retém mais calor do que o dióxido de carbono, embora permaneça na atmosfera apenas cerca de 7 a 12 anos.
Quando o solo absorve metano, reduz a quantidade que chega à atmosfera, diminuindo a pressão de aquecimento nos anos seguintes. Os solos florestais raramente recebem reconhecimento por este contributo, mas o seu desempenho pode aumentar ou diminuir conforme as condições meteorológicas.
Uma absorção superior de metano não resolverá o problema isoladamente, mas poderá ganhar tempo enquanto as reduções de emissões alcançam o ritmo necessário.
A precipitação controla a absorção de metano
Investigações anteriores nem sempre registaram um aumento da absorção de metano. Um estudo realizado em 2018 nos Estados Unidos, que acompanhou florestas em vários locais, concluiu que a absorção de metano diminuiu acentuadamente à medida que a precipitação aumentava, chegando a perdas de 89 por cento num dos locais.
Estes contrastes evidenciam que os resultados podem divergir quando as regiões seguem trajectórias de precipitação diferentes e explicam por que motivo as meta-análises que reúnem muitos estudos podem, por vezes, generalizar em excesso os padrões locais.
“Observámos um aumento significativo a longo prazo na captação de metano nas áreas florestais que estudámos”, afirmou Maier.
A precipitação tem um papel central porque regula a humidade do solo, que, por sua vez, determina a facilidade com que o metano e o oxigénio atravessam os poros do solo.
No sudoeste da Alemanha, a precipitação diminuiu gradualmente durante os anos de monitorização, enquanto algumas zonas do nordeste dos Estados Unidos enfrentaram condições mais húmidas - o que ajuda a explicar por que as tendências do metano evoluíram em sentidos opostos.
Em geral, as projecções climáticas estimam as alterações de temperatura com mais fiabilidade do que a precipitação local. Assim, um único mapa global da futura absorção de metano poderá induzir em erro se os padrões regionais de humidade se alterarem de formas distintas num clima mais quente.
As florestas mudam e os solos respondem
As perturbações nas florestas podem alterar silenciosamente a forma como os solos processam o metano, ao modificarem a estrutura através da qual os gases se deslocam.
Em algumas parcelas monitorizadas, surtos de escaravelhos-da-casca obrigaram à remoção de árvores, e os investigadores acompanharam essas áreas separadamente nos anos seguintes para contabilizar essa alteração.
Quando o coberto arbóreo se abre, a luz solar chega mais facilmente ao solo da floresta, secando-o frequentemente mais depressa. Ao mesmo tempo, as máquinas pesadas utilizadas no abate podem compactar o terreno, comprimindo os minúsculos poros de que o metano necessita para se deslocar.
Como estas alterações locais podem, por vezes, sobrepor-se a tendências climáticas mais amplas, a monitorização de longo prazo tem de registar as perturbações florestais juntamente com os padrões meteorológicos, para compreender o que realmente determina a absorção de metano.
Futuro da absorção de metano pelas florestas
Mesmo numa única paisagem, a absorção de metano variou muito entre parcelas, demonstrando que a textura do solo e o histórico de utilização do terreno influenciaram fortemente os resultados.
Os investigadores compararam florestas de faia e de abeto e continuaram a encontrar diferenças consideráveis na quantidade de metano absorvida pelos solos.
As verificações cruzadas reduziram a incerteza, mas os solos pedregosos e a humidade irregular continuaram a limitar a precisão com que a equipa podia medir a absorção. Alargar este trabalho à escala de países inteiros provavelmente introduziria erros, pois solos vizinhos e povoamentos arbóreos podem comportar-se de maneiras muito diferentes.
O registo de longo prazo associou igualmente uma maior absorção de metano a condições de solo mais seco e a anos mais quentes, contrariando as narrativas globais simplificadas de que o consumo de metano está a diminuir em todo o lado.
Serão necessários mais locais com décadas de monitorização consistente - sobretudo em regiões que se estão a tornar mais húmidas - antes de as previsões poderem orientar de forma fiável as políticas climáticas.






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