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A Grande Muralha Verde: o projecto de 8.000 km no Sahel

Homem a plantar uma árvore jovem num campo seco com balde de água e saco de sementes ao lado.
Neste artigo
  1. O que é a Grande Muralha Verde?
  2. Que países fazem parte da muralha de 8.000 km?
  3. Porque avança o Saara sobre o Sahel?
  4. Como é construída a Grande Muralha Verde no terreno?
  5. Porque é importante este projecto para lá de África?

A Grande Muralha Verde é uma iniciativa africana destinada a recuperar terrenos degradados no Sahel, a faixa semiárida situada a sul do Deserto do Saara. O plano começou por envolver 11 países e assentava numa imagem marcante: criar um corredor verde com cerca de 8.000 km, entre o Senegal e o Djibuti. Actualmente, o projecto não se limita à plantação de árvores: inclui a recuperação dos solos, agricultura adaptada à seca e criação de rendimentos para as comunidades rurais.

O que é a Grande Muralha Verde?

Liderada por nações africanas, a Grande Muralha Verde é um programa que procura combater a desertificação, a perda de solos férteis e a insegurança alimentar. Embora a visão inicial previsse uma faixa ininterrupta de árvores a atravessar o continente, a abordagem transformou-se num mosaico de zonas recuperadas.

Esse mosaico integra espécies arbóreas autóctones, pastagens reabilitadas, hortas comunitárias, sistemas agroflorestais e métodos tradicionais de gestão da água. A finalidade não passa por “segurar” o Saara como se fosse uma parede de betão, mas por reforçar o Sahel, permitindo que a terra volte a ser produtiva.

Que países fazem parte da muralha de 8.000 km?

O grupo inicial é formado por 11 países da zona sahelo-saariana: Senegal, Mauritânia, Mali, Burquina Faso, Níger, Nigéria, Chade, Sudão, Eritreia, Etiópia e Djibuti. Cada território lida com problemas específicos, incluindo seca, pressão sobre as pastagens, erosão, pobreza nas zonas rurais e migrações forçadas.

No terreno, a Grande Muralha Verde assenta em intervenções locais adaptadas a cada país:

  • Plantação de espécies adequadas a climas secos.
  • Recuperação de terrenos agrícolas abandonados.
  • Protecção de árvores jovens contra o gado e o abate precoce.
  • Recolha de água da chuva através de pequenas estruturas no solo.
  • Apoio a agricultores, pastores e cooperativas rurais.

Porque avança o Saara sobre o Sahel?

A degradação que progride no Sahel não tem uma causa única. A região enfrenta ciclos de seca, subida das temperaturas, exploração intensiva dos terrenos, desflorestação, crescimento demográfico e conflitos que dificultam a gestão sustentável dos recursos naturais.

À medida que o solo perde cobertura vegetal, aquece mais, retém menos água e torna-se exposto ao vento. Quando chove, a água escoa rapidamente, em vez de se infiltrar. Este ciclo diminui a fertilidade, fragiliza as culturas e leva as famílias rurais para zonas cada vez mais vulneráveis.

Como é construída a Grande Muralha Verde no terreno?

A construção não corresponde a uma linha impecável de árvores visível do espaço. Em muitas regiões, a solução mais eficaz consiste em proteger rebentos nativos já presentes no solo, deixando que raízes antigas deem novamente origem a árvores e arbustos, sem depender exclusivamente de novas mudas.

Os métodos utilizados mudam consoante o país, o tipo de solo e a água disponível:

  • Regeneração natural assistida, com preservação das árvores que surgem espontaneamente.
  • Plantação de acácias, balanites e outras espécies tolerantes à seca.
  • Aplicação de cordões de pedra para abrandar o escoamento da água.
  • Criação de pequenas bacias de plantação que concentram água junto das raízes.
  • Integração de árvores, culturas agrícolas e criação de animais.

Porque é importante este projecto para lá de África?

A Grande Muralha Verde tem relevância porque relaciona clima, alimentação, água e estabilidade social numa das áreas mais vulneráveis do planeta. Quando os solos recuperam produtividade, as comunidades rurais passam a dispor de mais alimentos, sombra, madeira obtida de forma controlada, pastagens e rendimentos locais, reduzindo a pressão sobre terrenos já degradados.

O desafio permanece muito grande: financiamento instável, insegurança em partes do Sahel e falhas na monitorização atrasam os resultados. Ainda assim, a muralha verde mantém-se como um dos maiores símbolos mundiais de recuperação ambiental, ao converter o combate à desertificação num esforço feito no terreno, árvore a árvore e hectare a hectare.

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Marta Filipa Correia

Marta Filipa Correia é engenheira agrónoma e investigadora em sistemas agroflorestais mediterrânicos, com especialização no cultivo e valorização da maquiave. Dedica-se ao estudo da ecologia da planta, boas práticas de colheita e transformação tradicional, bem como ao seu potencial gastronómico e sustentável. É também autora de conteúdos sobre biodiversidade rural e usos etnobotânicos associados à maquiave.

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