Na manhã de 20 de fevereiro de 1943, o agricultor Dionisio Pulido deparou-se com algo impossível de ignorar no seu milharal, no estado mexicano de Michoacán. O terreno começara a abrir fendas, a libertar fumo e a emitir estrondos vindos das profundezas. Em apenas algumas horas, aquela abertura no campo passaria de uma simples rachadura ao ponto de partida do vulcão Parícutin.
O que reparou o agricultor no meio da plantação?
Pulido trabalhava junto à pequena povoação de Parícutin quando percebeu alterações invulgares no solo. Uma depressão que já existia no local começou a alargar-se, enquanto fumo e gases saíam da terra. Pouco depois, surgiram abalos, ruídos intensos e a expulsão de pedras incandescentes, indícios de que algo muito maior se desenrolava sob os seus pés.
Em vez de uma erupção despontar no cume de uma montanha antiga, o fenómeno nascia praticamente do nada, perante testemunhas. O agricultor afastou-se e alertou outras pessoas da zona. Nesse mesmo dia, cinzas e fragmentos vulcânicos começaram a depositar-se à volta da abertura, criando os primeiros metros de um novo cone.
Como cresceu o vulcão Parícutin tão depressa?
O Parícutin é um cone de escórias, que se forma quando fragmentos de lava são projectados para o ar e se acumulam em redor da abertura eruptiva. Nos primeiros dias, a deposição desse material foi impressionante. Um campo agrícola quase plano passou a ter uma elevação claramente visível, que não parava de aumentar enquanto explosões e colunas de cinzas tomavam conta da paisagem.
Alguns dados ajudam a perceber a rapidez com que o nascimento do vulcão mudou a região. Embora o crescimento mais veloz tenha acontecido no início da erupção, novas camadas de material continuaram a modificar o cone durante anos.
- O aparecimento visível do Parícutin teve início em 20 de fevereiro de 1943.
- O cone elevou-se dezenas de metros nas primeiras horas e continuou a crescer depressa nos dias seguintes.
- No fim da sua actividade, a montanha atingia cerca de 400 metros acima do terreno original.
- A fase eruptiva manteve-se activa até 1952, aproximadamente nove anos após o seu surgimento.
O que aconteceu às comunidades mais próximas?
O espectáculo geológico teve também consequências severas para os habitantes da região. As cinzas cobriram culturas, afectaram o trabalho agrícola e tornaram algumas zonas cada vez mais difíceis de habitar. À medida que as erupções e as escoadas de lava avançavam, os moradores tiveram de abandonar localidades ameaçadas e recomeçar a vida noutros lugares.
Parícutin e San Juan Parangaricutiro estiveram entre os locais afectados. A lava avançou sobre edifícios e encobriu grande parte da paisagem antiga. Ainda hoje, as ruínas da igreja de San Juan permanecem rodeadas por rocha vulcânica solidificada, numa das imagens mais conhecidas das transformações causadas pela erupção.
Porque fascinou o Parícutin tantos cientistas?
Habitualmente, os vulcões são estudados quando já existem há centenas, milhares ou até milhões de anos. O Parícutin proporcionou uma circunstância excepcional. Pouco depois do começo da actividade, geólogos chegaram à região e conseguiram acompanhar a formação do cone, as explosões, os depósitos de cinzas e o avanço da lava enquanto tudo ocorria.
Esta observação fez do Parícutin um importante laboratório natural. As fotografias, medições e registos recolhidos ao longo dos anos ajudaram os investigadores a compreender melhor como um cone vulcânico pode surgir e desenvolver-se. Raramente a ciência teve a possibilidade de documentar uma parte tão extensa da vida de um vulcão desde os seus primeiros instantes.
Veja o vídeo partilhado pelo canal de YouTube Originz TV, que mostra o vulcão mais jovem do mundo.
O que ficou após nove anos de erupção?
Quando a actividade terminou, em 1952, o milharal de Dionisio Pulido fazia já parte de uma paisagem inteiramente diferente. Onde antes se cultivava milho, havia lava solidificada, cinzas e uma montanha que não existia nove anos antes. O Parícutin continua a ser um raro testemunho da velocidade a que os processos subterrâneos conseguem transformar a superfície do planeta.
A sua história recorda ainda que mudanças gigantescas podem começar por sinais aparentemente insignificantes, como uma fenda no chão. Conhecer o Parícutin é olhar para a Terra como um planeta que continua em construção. Vale a pena observar esta história com atenção agora, pois revela, de forma quase inacreditável, o que pode estar a acontecer silenciosamente sob os nossos pés.






Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário