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Oito plântulas de Dendroseris neriifolia oferecem esperança na ilha Robinson Crusoe

Pessoa com plantas jovens em estufa, junto a frascos de sementes e caderno aberto com desenhos botânicos.
Neste artigo
  1. A árvore Dendroseris numa falésia
  2. Como chegou a um ponto crítico
  3. O que aconteceu às sementes
  4. Um banco de sementes é apenas o primeiro passo
  5. Todo um ecossistema depende deste salvamento

Numa falésia remota da ilha Robinson Crusoe, no Chile, uma árvore envelhecida representa o último exemplar selvagem conhecido de Dendroseris neriifolia. As sementes desse sobrevivente, com quase 150 anos, deram origem a oito plântulas no Millennium Seed Bank, em Inglaterra, criando uma via estreita, mas concreta, para afastar a espécie da extinção na natureza.

A mais recente atualização do banco indica que 29 sementes chegaram aos seus laboratórios, 25 pareceram potencialmente viáveis numa análise por raios X e as oito usadas no primeiro ensaio de cultivo germinaram. Porém, a existência de plântulas não significa, por si só, recuperação.

O objetivo a longo prazo passa por produzir mais plantas e sementes, recuperar o habitat degradado e, por fim, devolver ao Chile descendentes da árvore que cresce na falésia.

A árvore Dendroseris numa falésia

Por pertencer à família das margaridas, mas desenvolver-se como uma planta lenhosa e ramificada, com cerca de 4 metros de altura, Dendroseris neriifolia é por vezes designada «margarida-arbórea».

A espécie existe naturalmente apenas na ilha Robinson Crusoe e o comité oficial chileno de espécies classifica-a atualmente como Criticamente em Perigo, numa única localização conhecida.

Como recolher sementes sem prejudicar a planta que sustenta toda uma população selvagem? A árvore encontra-se na encosta da ravina de El Lápiz, onde é amparada por cordas; coletores treinados avançam cuidadosamente pelo tronco e usam redes para apanhar os frutos maduros.

Na recolha realizada em março de 2026, a equipa obteve 400 sementes.

Como chegou a um ponto crítico

A espécie ocorria anteriormente em ravinas e zonas mais baixas da ilha, mas em 1980 restavam apenas oito árvores selvagens.

A destruição florestal, as plantas invasoras, o pastoreio por mamíferos introduzidos e incêndios repetidos degradaram o habitat. A avaliação chilena destaca, em particular, os herbívoros exóticos e as plantas que competem com a espécie.

O alerta não é recente. Um estudo de 2003 publicado na Conservation Biology, liderado por Thomas Dirnböck, recorreu a mapas históricos da vegetação e a dados de campo para prever a expansão de plantas invasoras na ilha Robinson Crusoe, demonstrando a importância do controlo continuado.

O isolamento trouxe ainda outro obstáculo. A equipa de conservação calcula que cerca de 90 por cento das sementes não são viáveis, e algumas plantas mantidas em jardins hibridizaram-se com espécies aparentadas, tornando as respetivas sementes inadequadas para o programa de salvamento.

Os esforços de recuperação anteriores ainda não conseguiram assegurar o regresso da espécie à natureza.

O que aconteceu às sementes

Das 400 sementes recolhidas, 29 foram enviadas para Inglaterra após uma seleção inicial. A atualização atual do banco refere que 25 aparentavam ser potencialmente viáveis nas radiografias, enquanto uma descrição anterior do projeto indicava desenvolvimento visível de embriões em 24. O conjunto disponível para o salvamento continua a ser muito reduzido.

Os investigadores semearam diretamente oito sementes em composto, em estufas com condições controladas. A decisão pretendeu limitar a humidade excessiva e evitar perturbar raízes delicadas.

As oito germinaram, estando previsto que três sejam transferidas para o Logan Botanic Garden, na Escócia. As restantes sementes ficarão guardadas para conservação a longo prazo.

Esta estratégia chama-se conservação ex situ, ou seja, a proteção de uma espécie fora do seu habitat natural.

Paulina Hechenleitner, investigadora associada do Royal Botanic Garden Edinburgh e responsável científica do Jardín Botánico VerdeNativo, afirmou que a germinação demonstrou o valor de uma cooperação internacional persistente. O botânico Diego Penneckamp resumiu a urgência de forma mais direta, classificando-a como «uma corrida contra o tempo».

Um banco de sementes é apenas o primeiro passo

Um banco de sementes funciona como uma reserva biológica. Esta instalação é o maior banco de sementes subterrâneo do mundo e conserva mais de 2,5 mil milhões de sementes de mais de 40 000 espécies de plantas selvagens, destinadas à investigação, reintrodução e restauro.

As novas plântulas serão distribuídas por jardins botânicos do Reino Unido, permitindo aos cultivadores determinar que condições favorecem a sua sobrevivência, maturação e produção de mais sementes.

Na prática, isto implica reunir material saudável em quantidade suficiente para reforçar as coleções de conservação e, mais tarde, enviar plantas ou sementes de volta para o Chile.

Ainda assim, a ilha terá de estar preparada para as receber. A recuperação de uma população selvagem exigirá anos de reabilitação do habitat, controlo de espécies invasoras, monitorização e reintroduções cuidadosamente planeadas.

Uma árvore jovem não conseguirá estabelecer-se se cabras, roedores ou plantas agressivas voltarem a criar as mesmas pressões que conduziram a espécie a esta situação.

Todo um ecossistema depende deste salvamento

As 11 espécies do grupo Dendroseris são exclusivas do arquipélago Juan Fernández.

As ilhas abrigam 285 espécies de plantas nativas, das quais 144 não existem em nenhum outro local. Assim, o desaparecimento de uma linhagem pode eliminar uma parte insubstituível de um ecossistema.

O colibri-de-coroa-de-fogo de Juan Fernández, também Criticamente em Perigo, integra essa rede ecológica.

A ave alimenta-se das flores de Dendroseris, pelo que salvar a árvore contribui igualmente para preservar uma relação rara entre uma planta nativa e o seu polinizador. Está em causa muito mais do que um tronco isolado.

A Corporação Nacional Florestal do Chile prevê uma nova recolha de sementes, para envio ao Reino Unido, em 2027.

Oito plântulas não constituem uma população restaurada, mas representam a primeira ponte viva entre uma velha árvore numa falésia e um possível futuro na natureza.

A atualização oficial sobre conservação foi publicada pelos Royal Botanic Gardens, Kew.

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Marta Filipa Correia

Marta Filipa Correia é engenheira agrónoma e investigadora em sistemas agroflorestais mediterrânicos, com especialização no cultivo e valorização da maquiave. Dedica-se ao estudo da ecologia da planta, boas práticas de colheita e transformação tradicional, bem como ao seu potencial gastronómico e sustentável. É também autora de conteúdos sobre biodiversidade rural e usos etnobotânicos associados à maquiave.

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